Líder da oposição em Angola pede novas eleições

Oposicionistas dizem que 1.ª votação parlamentar em 16 anos foi 'uma bagunça'; pleito continua no sábado

Reuters e Efe,

05 de setembro de 2008 | 18h22

A oposicionista União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita) pediu a realização de novas eleições parlamentares no país devido aos atrasos que marcaram o pleito realizado nesta quinta-feira, 5, descrita pelo líder da legenda como "uma bagunça". "O sistema praticamente entrou em colapso e nós temos que fazer alguma coisa para recuperar o processo", afirmou Isaias Samakuva, depois de um encontro com a comissão eleitoral.   Veja também: Atrasos marcam eleição em Angola   Perguntado por um repórter se ele pediu à comissão um novo pleito, Samakuva respondeu que sim. Mais cedo, eleitores e observadores da União Européia (UE) reclamaram da desorganização na votação, na qual o partido da situação, MPLA, espera estender um governo de mais de três décadas.   Longas filas se formaram na capital Luanda, considerada uma fortaleza para o MPLA, horas depois que as urnas foram abertas às 7 horas, no horário local. A apuração também não começou no horário previsto, enquanto outros locais de votação se mantinham fechados horas depois do pleito ter começado.   O próprio presidente angolano, José Eduardo dos Santos, que tentou votar na hora prevista para a abertura, só pôde fazê-lo às 8h40 no colégio da Cidade Alta da capital. "Reconhecemos publicamente nossas deficiências, que fizeram com que em algumas províncias, particularmente em Luanda, não tenham conseguido entrar em pleno funcionamento", disse Sousa.   O responsável eleitoral também pediu desculpas a todos os angolanos, que "esperavam com grande ansiedade este 5 de setembro", no qual o país vota pela primeira vez desde 1992 para escolher, entre 14 candidaturas, seu segundo Parlamento desde que se tornou independente de Portugal, em 1975.   Por sua vez, a chefe da missão de observação eleitoral da UE, Luiza Morgantini, disse em coletiva de imprensa que em algumas áreas de Luanda houve "problemas de organização e confusão", mas que o pleito transcorreu muito bem.   Os resultados oficiais do pleito, segundo fontes da Comissão Eleitoral, serão conhecidos na próxima semana, embora os primeiros dados devam ser divulgados no sábado ou no domingo. Dos 220 deputados da assembléia anterior, 129 eram do MPLA e 70 da Unita, enquanto as outras forças políticas do país não passavam de seis representantes.   Mais prazo   Após o protesto da oposição, a Comissão Eleitoral declarou que as eleições serão estendidas até sábado na província de Luanda, onde ocorreram vários atrasos. "Todas os pontos de votação, que por problemas logísticos não abriram, irão funcionar até 6 de setembro", afirmou Caetano de Sousa, presidente da comissão.  

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