Fabrice COFFRINI / AFP
Fabrice COFFRINI / AFP

Líder da oposição na Bielo-Rússia pede firmeza à comunidade internacional contra repressão

País vive manifestações há semanas desde eleição considerada fraudada; repressão brutal contra manifestantes tem sido denunciada pela oposição

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2020 | 08h20

GENEBRA - A líder da oposição da Bielo-Rússia, Svetlana Tikhanovskaya, pediu nesta sexta-feira, 18, que a comunidade internacional tenha uma reação com a "maior firmeza" possível contra a repressão aos manifestantes no país. A mensagem gravada foi enviada ao Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU)

A candidata presidencial refugiou-se na Lituânia desde que condenou e qualificou a reeleição do presidente Alexander Lukashenko como fraude em agosto, e interveio nesta sexta por videoconferência no encontro organizado a pedido da União Europeia (UE)

"A situação na Bielo-Rússia exige atenção internacional imediata. Manifestantes pacíficos estão sendo detidos ilegalmente, espancados e estuprados. Alguns foram encontrados mortos", disse Tikhanovskaya.

No poder desde 1994, Lukashenko venceu as eleições com 80% dos votos, segundo dados oficiais, e iniciou seu sexto mandato em meio a grandes manifestações nas ruas pedindo sua saída do poder e uma transição política. Eles têm sido brutalmente reprimidos.

"A amplitude e a brutalidade no uso da força pelo regime viola claramente as normas internacionais e a Declaração dos Direitos Humanos adotada pela ONU e pela Bielo-Rússia", disse. "O fato de a Bielo-Rússia ter adotado esta Declaração significa que a comunidade internacional tem o direito de reagir com a maior firmeza quando as obrigações não são respeitadas". 

A União Europeia pediu uma "investigação aprofundada" das denúncias de abusos contra os manifestantes nos locais onde foram detidos e a ONG Human Rights Watch (HRW) pediu ao Conselho de Direitos Humanos que analise o assunto "sem demora".

A Alta Comissária para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, também pediu na segunda uma investigação sobre as denúncias de tortura praticadas pelas forças de segurança depois de receber “relatos alarmantes sobre a repressão violenta e contínua das manifestações pacíficas”.

Após a reunião de sexta-feira, os 47 membros do Conselho decidirão sobre um projeto de resolução da União Europeia apelando para Minsk realizar "investigações independentes, transparentes e imparciais sobre todas as alegações de violações dos direitos humanos" e para que todos os culpados sejam levados à justiça. 

O texto da resolução insiste na necessidade de iniciar um "diálogo" entre as autoridades bielo-russas e a oposição, defende o fim à repressão violenta dos manifestantes e a libertação dos presos políticos.

O debate em Genebra é intenso. A Rússia, aliada da Bielo-Rússia, já apresentou três alterações ao projeto de resolução. Por sua vez, o embaixador da Bielo-Rússia, Yury Ambrazevich, garantiu que a situação em seu país está "sob controle". / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.