Líder da oposição no Zimbábue é libertado

Morgan Tsvangirai foi solto depois de passar por interrogatório; comboio do opositor havia sido barrado

Agências internacionais

04 de junho de 2008 | 17h11

O chefe do partido de oposição no Zimbábue, Morgan Tsvangirai foi colocado em liberdade nesta quarta-feira, 4,  após passar por um extenso interrogatório, informou a agência France Presse. Veja também:  Zimbábue suspende trabalho de agências humanitárias Candidato rival do presidente Mugabe é preso no Zimbábue Tsvangirai foi detido nesta quarta-feira, 4, a poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais de 27 de junho, no qual desafia o presidente Robert Mugabe. Segundo o Movimento pela Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês), a policia prendeu o candidato e outros membros do partido durante um bloqueio em uma entrada.  O MDC afirma que pelo menos 50 pessoas foram mortas por simpatizantes do presidente Robert Mugabe desde o primeiro turno eleitoral, realizado no dia 29 de março. Ainda nesta quarta, agências humanitárias afirmaram que o governo suspendeu as operações de ajuda no país sob a acusação de que as ONGs faziam campanha para a oposição. Segundo o porta-voz George Sibotshiwe, Tsvangirai e outros 14 oficiais do partido foram levados para uma delegacia em Lupane. O candidato estava em campanha presidencial na região quando o seu comboio foi barrado pela polícia. O governo do Zimbábue ainda impôs o controle sobre a distribuição de ajuda humanitária, numa tentativa de intimidar eleitores semanas antes do segundo turno, segundo afirmou a ONG de direitos humanos Human Rights Watch. Segundo a organização americana, as operações de grupos internacionais foram interrompidas por determinação do Executivo. Outras grandes ONGs como a Save The Children, a Care International e Adra tiveram suas atividades suspensas. As medidas contra as agências humanitárias são pano de fundo para o segundo turno da disputada eleição presidencial, que espalhou uma onda de violência, tortura e intimidação. Segundo a BBC, a oposição acusa o governo e o Exército de bater e torturar simpatizantes do partido em uma tentativa de mantê-los longe das urnas ou fazer com que votem para o partido governista. Tsvangirai reivindica a vitória no primeiro turno presidencial e afirma que o pleito do dia 27 de junho é baseado em resultados fraudulentos e parte de um plano para manter Mugabe no poder. Mugabe, de 84 anos, está no poder há 28. Ele era visto como um herói nacional ao ajudar o Zimbábue a conseguir sua independência do Reino Unido, em 1980. Foi também elogiado por levar educação e saúde para a maioria negra. Mas recentemente tem sido acusado de centralizar o poder demais e realizar eleições fraudulentas, além de cometer abusos e erros na condução da economia. 

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