Líder da oposição no Zimbábue pede que eleição seja anulada

Refugiado na embaixada holandesa, Tsvangirai apela à comunidade internacional para criação de novo pleito

Agências internacionais,

23 de junho de 2008 | 15h44

Morgan Tsvangirai, líder opositor do Zimbábue, fez um apelo nesta segunda-feira, 23, à comunidade internacional para que as eleições no país sejam declaradas "nulas e inválidas". Em entrevista à rede CNN, Tsvangirai pediu ainda que um novo pleito fosse organizado, segundo informações da agência France Presse. O opositor, que venceu o primeiro turno das eleições presidenciais e desistiu do segundo pela crescente onda de violência no Zimbábue, se refugiou na embaixada da Holanda na capital zimbabuana Harare nesta segunda.   Veja também: Líder opositor se refugia na embaixada da Holanda no Zimbábue Candidato de oposição abandona o pleito EUA querem levar caso do Zimbábue à ONU    Se não deixasse a disputa, Tsvangirai, líder do Movimento pela Mudança Democrática (MDC), enfrentaria nas urnas na sexta-feira o atual presidente zimbabuano, Robert Mugabe, há 28 anos no poder. O governo já informou que a eleição ocorrerá normalmente no dia previsto.   Mais cedo, o MDC informou que a polícia invadiu a sede do partido em Harare e prendeu mais de 60 pessoas. O movimento afirma que cerca de 90 de seus partidários foram mortos por milícias que Mugabe. Entre os presos estão mulheres e crianças.   Ainda nesta segunda-feira, Tsvangirai disse que está pronto para negociar com o partido de Mugabe, o ZANU-PF, mas somente se a violência política for interrompida.   Ele também pediu que os líderes regionais pressionem pelo adiamento da eleição ou pela renúncia de Mugabe. Mas o governo afirmou que a desistência do opositor veio tarde demais, e que a eleição não será cancelada.   O líder oposicionista seguirá refugiado na embaixada da Holanda em Harare, disse à Agência Efe um porta-voz do principal partido opositor do Zimbábue.   "Tsvangirai também passará esta noite na embaixada holandesa", disse George Sibotshiwe, encarregado de comunicações no escritório de Tsvangirai, que não quis responder se outros diretores do MDC, incluindo ele mesmo, buscarão refúgio nessa ou em outras delegações diplomáticas na capital zimbabuana.   Tensão   A preocupação dentro e fora da África com a situação política e econômica do Zimbábue, que levou uma grande onda de refugiados aos países vizinhos, tem aumentado. Tanto a União Africana quanto a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral estão analisando a situação após a desistência de Tsvangirai.   O Reino Unido disse que Mugabe tem de ser declarado líder ilegítimo e que as sanções contra seus simpatizantes têm de ser endurecidas.   "Estamos preparados para negociar com o ZANU-PF, mas é claro que é importante que certos princípios sejam aceitos antes de as negociações se iniciarem. Uma das precondições é que a violência contra o povo tenha fim", disse Tsvangirai à rádio sul-africana 702.   Vários governos estrangeiros defendem a idéia de criação de um governo de unidade nacional para pôr fim à crise. Os dois lados rejeitam a proposta.   Mugabe, de 84 anos, está no poder desde a independência do Reino Unido, em 1980. Ele prometeu nunca entregar o governo para a oposição, que qualifica de marionete do Ocidente.   Resposta brasileira   Em nota divulgada após a desistência de Tsvangirai, o Itamaraty anunciou o cancelamento da missão de observadores que enviaria ao Zimbábue para acompanhar o processo eleitoral do país.   No comunicado, a chancelaria também condena os atos de violência e faz um apelo para que o governo do país africano garanta a calma para as eleições.  

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