Líder da oposição pede mais combate ao terror

Entrevista com Benazir Buttho: ex-primeira-ministra do PaquistãoLondres - Benazir Bhutto, que por duas vezes foi a primeira-ministra do Paquistão, preside o Partido do Povo Paquistanês (PPP), o maior de oposição ao regime militar do general Pervez Musharraf. Nessa entrevista do exílio, em Londres, Benazir critica a política de combate ao terror de Musharraf.O presidente Musharraf tem sido criticado nos EUA por não fazer o suficiente para capturar suspeitos da Al-Qaeda escondidos no Paquistão. A sra. acha que ele está fazendo o suficiente?Meu partido criticou veementemente o acordo de paz que foi assinado em 2006 com elementos do Taleban nas regiões tribais do Paquistão. Essas regiões foram cedidas a estrangeiros, ao Taleban afegão e a combatentes militantes árabes e chechenos. Esses grupos de fato administram partes de nosso território, mantendo nosso povo refém.O que deveria ser feito?Infelizmente, o governo Musharraf não foi capaz de afirmar o império da lei no país. Um governo sob o meu controle agiria com presteza para caçar os líderes da Al-Qaeda que estão tentando se aproveitar da falta de lei e ordem por lá; para acabar com o tráfico de drogas, que atualmente está financiando e alimentando o terrorismo; e para reformar as madrassas (escolas islâmicas) políticas, que usam o nome madrassa, mas na verdade são bases militares usando mulheres e crianças como escudos humanos. Os EUA ameaçam intervir nessas áreas, se preciso sem a permissão do Paquistão. Qual a sua opinião sobre isso?Acredito que a violação da soberania do Paquistão com uma ação militar não autorizada terá conseqüências muito adversas. Se formos atacados, todos os paquistaneses esquecerão suas diferenças e se unirão. Portanto, não creio que isso seja recomendável. Mas defendo uma relação de trabalho estreita com a Otan e com os EUA para eliminar o terrorismo.

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