REUTERS/Jorge Silva
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Líder da 'revolução dos guarda-chuvas' se une aos protestos contra o governo de Hong Kong

Joshua Wong afirmou que Carrie Lam 'não está mais qualificada para ser a dirigente' da ilha e pediu sua renúncia; governo chinês manifesta firme apoio à política, considerara pró-Pequim pelos opositores

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2019 | 10h33
Atualizado 17 de junho de 2019 | 12h06

HONG KONG - O ativista pró-democracia Joshua Wong, símbolo da "revolução dos guarda-chuvas" de 2014, anunciou nesta segunda-feira, 17, assim que saiu da prisão, que pretende unir-se à mobilização em Hong Kong para manter a pressão contra o Executivo, enquanto Pequim reiterou seu apoio "firme" ao governo local.

Quase dois milhões de manifestantes vestidos de preto saíram às ruas no domingo, segundo os organizadores, para pedir a renúncia da chefe do Executivo, Carrie Lam, e a retirada do projeto de lei, atualmente suspenso, que autoriza extradições para a China continental.

A ex-colônia britânica foi cenário nos últimos dois domingos de manifestações gigantescas, com recordes de comparecimento, além de um protesto não autorizado na quarta-feira passada que terminou com o maior ato de repressão policial desde que o território semiautônomo foi devolvido a Pequim em 1997.

Em 2014, Joshua Wong, que na época tinha 17 anos, se tornou um dos líderes da "Revolução dos Guarda-Chuvas", que bloqueou o centro financeiro da cidade durante semanas para exigir o sufrágio universal.

Depois de sair da prisão nesta segunda, onde estava detido desde maio por atos vinculados à revolta de 2014, o ativista se uniu às críticas contra a chefe do Executivo pró-Pequim.

Lam "não está qualificada"

"Lam não está mais qualificada para ser a dirigente de Hong Kong", declarou ao sair da prisão, antes de afirmar que ela "deve assumir sua responsabilidade e renunciar". Ao mesmo tempo, a China reiterou nesta segunda-feira que "apoia firmemente" a chefe de Governo de Hong Kong.

"O governo central seguirá apoiando firmemente a chefe do Executivo da Região Administrativa Especial" (Hong Kong), declarou o porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Lu Kang.

A indignação provocada pela violenta repressão do protesto de quarta-feira obrigou Lam a pedir desculpas, reconhecendo que "deficiências no trabalho do governo levaram a muitos conflitos e disputas na sociedade de Hong Kong e decepcionaram e provocaram angústia em muitos cidadãos".

"Lei Diabólica"

Wong anunciou que pretende aderir ao movimento para conseguir a anulação do polêmico projeto de lei. "Agora que saí da prisão, vou unir-me aos habitantes de Hong Kong para fazer oposição a esta lei diabólica de extradição para a China", disse

Segundo os críticos, o projeto de lei colocaria a população da ex-colônia britânica à mercê do sistema judiciário da China continental, opaco e controlado pelo Partido Comunista Chinês. A comunidade empresarial teme ainda a possibilidade de a reforma prejudicar a imagem internacional e a atratividade do centro financeiro.

Na manifestação de domingo "tivemos quase dois milhões de pessoas", afirmou Jimmy Sham, representante da Frente Civil dos Direitos Humanos (CHRF). O número representa quase o dobro da participação anunciada no protesto do dia 9 de junho, em uma cidade de 7,3 milhões de habitantes. A polícia divulgou uma estimativa de 338 mil pessoas no momento de maior fluxo.

Na manhã de segunda-feira, centenas de manifestantes bloqueavam uma avenida próxima ao Conselho Legislativo (LegCo), o "Parlamento" local. Depois de algumas horas, os manifestantes deixaram a avenida e seguiram para um parque próximo ao LegCo.

"Temos que permanecer aqui até que Carrie Lam mude de opinião", afirmou Candy, 32 anos, que se recusou a revelar seu nome completo.

Alguns, no entanto, questionam o efeito real de uma possível renúncia do governo, controlado por Pequim. "O governo chinês enviará outra Carrie Lam e não mudará nada", lamenta Kok, um estudante de 21 anos. / AFP

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