Líder da Tunísia pede ajuda para 'primavera árabe'

Líderes da Tunísia pediram hoje ajuda para manter o ritmo da "primavera árabe", já que problemas econômicos ameaçam o otimismo na região. Em declarações feitas durante a reunião do G-8, o primeiro-ministro Beji Caied Essebsi disse que a região está num momento crucial.

AE, Agência Estado

27 de maio de 2011 | 15h58

Segundo o líder tunisiano, o movimento tem potencial para uma revitalização econômica e social, se conseguir construir instituições democráticas e as bases de uma economia de mercado, mas os danos econômicos causados pelas recentes turbulências podem resultar em agitação.

"Nós temos todos os ingredientes para o sucesso... mas precisamos de apoio econômico para nossa marcha na direção da democracia", disse Essebsi. O sucesso é importante para a Tunísia, segundo ele, "porque este é um exemplo para outros países, para mostrar que o Islã e a democracia não são incompatíveis".

Nos últimos meses, uma grande quantidade de refugiados vindos da vizinha Líbia, além do nervosismo de parte dos estrangeiros, atingiu a indústria do turismo na Tunísia, que é de vital importância para o país.

O conflito na Líbia está causando perdas mensais de US$ 200 milhões para a Tunísia, disse Essebsi, segundo uma cópia do discurso que ele fez durante o encontro. Além disso, o aumento dos preços do petróleo e dos alimentos significa menores recursos para investimento. "É o crescimento do amanhã que será comprometido", afirmou.

A performance econômica do Oriente Médio e do Norte da África já era ruim, com um crescimento econômico per capita de apenas 0,5% nas últimas três décadas, segundo um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgado ontem. Isso é muito abaixo da média de 3% para países em desenvolvimento e desenvolvidos. Crescimento lento e altos índices de fertilidade levaram a taxas de desemprego entre 10% e 12% na região, que são ainda mais altas entre os jovens.

"Ainda estamos lidando com uma situação social difícil", disse o ministro de Finanças Jalloul Ayed. "O país tem estado sob enorme pressão do regime anterior... Eles (o povo tunisiano) estão se expressando de uma forma que mostra que a democracia prática está a caminho".

A Tunísia pediu ao G-8 US$ 25 bilhões no período de cinco anos para amparar a governança, infraestrutura e capital humano no país e ajudar a abrir sua economia para os mercados internacionais, além de realizar mudanças em seu setor financeiro. As informações são da Dow Jones.

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