Jasper Juinen, Bloomberg
Jasper Juinen, Bloomberg

Ao final da campanha, líder da ultradireita holandesa volta a criticar Maomé

Geert Wilders afirmou que 'o Islã representa a maior ameaça' para o país; em debate, oponente do conservador disse que a restrição de liberdade e a proibição do Alcorão não combatem os problemas atuais

O Estado de S.Paulo

15 de março de 2017 | 05h00

HAIA - O líder da extrema-direita na Holanda, Geert Wilders, disse na terça-feira que o profeta Maomé é "um senhor da guerra" no encerramento da campanha eleitoral no Parlamento, que contou com a participação de representantes dos 13 partidos mais importantes do país.

"O Islã representa a maior ameaça para a Holanda. Nosso futuro está em jogo. Temo que o estado de direito desapareça se dermos espaço ao Islã", disse Wilders, um dos protagonistas da reunião que durou mais de uma hora e foi dividida em debates curtos dois a dois entre os líderes dos grandes partidos.

O oponente de Wilders no debate, Jan Segers, da União Cristã, contestou o líder da extrema-direita, afirmando que a restrição da liberdade ou uma "proibição do Alcorão" não são meios para combater os problemas existentes na Holanda.

"O senhor tem objeções legítimas contra o islã, mas a luta tem que ser abordada de uma maneira distinta. A luta tem de ter relação com o orgulho de nossas liberdades", disse Segers a Wilders.

O debate encerrou três semanas de campanha na Holanda, que vai às urnas nesta quarta-feira. Os candidatos discutiram com particular atenção a identidade holandesa, a integração dos imigrantes, a União Europeia e as mudanças no sistema sanitário do país.

O atual primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, mostrou-se um tanto cansado durante o debate, dando a impressão de estar abalado pela crise diplomática com a Turquia.

Rutte disse estar orgulhoso pela forma com a qual impediu os atos de campanha dos dois ministros turcos e reiterou que atuaria da mesma forma se a situação se repetir no futuro.

No debate com o líder dos Verdes, Jesse Klaver, Rutte disse que o adversário é "generoso demais" com os refugiados que pedem asilo, já que critica o acordo de migração com a Turquia.

O social-democrata Lodewijk Asscher, atual vice-primeiro-ministro, também teve oportunidade de "enfrentar" Wilders no debate, mas seus argumentos foram fortemente rebatidos pelo líder populista.

"A Holanda é dos holandeses que escolheram nosso país 100%", disse Wilders, criticando as centenas de turcos que se manifestaram neste fim de semana em favor do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e contra o governo holandês. / EFE

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