EFE/ORLANDO BARRIA
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Líder das Farc quer acelerar negociações e diz que diálogo entrou em etapa irreversível

Timochenko disse ter aceitado a proposta do presidente colombiano Juan Manuel Santos de dar mais velocidade às discussões com o objetivo de encerrar o conflito armado

O Estado de S. Paulo

25 de novembro de 2015 | 12h52

HAVANA - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia concordaram com a proposta do governo da Colômbia de acelerar o processo de paz negociado em Cuba por meio de uma nova metodologia nas discussões, e afirmaram que o diálogo entrou em uma etapa praticamente irreversível.

Em uma entrevista divulgada na noite de terça-feira, o líder máximo da guerrilha, Rodrigo Londoño Echeverri, conhecido como "Timochenko", disse ter aceitado a proposta do presidente Juan Manuel Santos de acelerar as discussões, a fim de terminar com um conflito armado que dura mais de meio século.

"Há uma proposta que é muito interessante", afirmou Timochenko em um vídeo das Farc postado no YouTube. Ele fez uma alusão à iniciativa lançada por Santos na semana passada de convocar uma espécie de cúpula para resolver definitivamente os acordos de paz antes de 23 de março, como se comprometeram em Havana as duas partes no dia 23 de setembro, após três anos de discussões.

Até agora, a negociação transcorreu em ciclos de até cinco dias, tratando de temas específicos.

A proposta de uma nova metodologia foi examinada por Timochenko e Enrique Santos, irmão e enviado do presidente colombiano. "Em uma carta pessoal que mandei ao presidente, eu disse que me parecia que esse método de ciclos não era o melhor", comentou o chefe das Farc. "Se redesenharmos isso, nomearemos uma espécie de direção executiva integrada pelos dois chefes das duas delegações (...) e acho que assim vai nos servir".

No final de semana, Timochenko negociou com Enrique Santos as diferenças que surgiram a respeito do alcance do acordo sobre o tema da justiça.

Na entrevista postada no YouTube, que teve trechos divulgados nesta semana, Timochenko qualificou o encontro "de bastante produtivo" e deu a entender que as partes haviam conseguido superar os desacordos em grande medida.

"Expressei, em nome das Farc, as inquietações que sofremos, as angústias que temos, porque no fim das contas, nós não nos fechamos e dissemos ao governo: 'pronto, revisemos novamente o acordo' e imediatamente foi convocada a comissão de juristas, os três do governo e os dois nossos, para que fizessem uma revisão", disse o líder rebelde.

Comprometidos em um processo de paz iniciado há três anos, as Farc e o governo negociam seis grandes temas para acabar com o conflito armado.

Até agora, conseguiram consensos parciais em três pontos: reforma agrária, drogas ilícitas e participação política dos rebeldes. Ainda restam concluir os relacionados à reparação e justiça para as vítimas, o desarmamento das Farc e o referendo sobre os acordos.

Considerado um dos pontos mais delicados da negociação, o acordo sobre a justiça inclui a criação de um tribunal especial, julgamentos e penas de prisão para responsáveis por crimes contra a humanidade, tomada de reféns, execuções extrajudiciais e violência sexual, além de anistia para crimes políticos. Só a discussão do tema justiça levou 15 meses de árduas negociações.

Após o histórico aperto de mãos entre o presidente Santos e Timochenko, surgiram divergências a respeito do alcance do convênio da justiça, que pareceram atravancar os diálogos.

As partes mantêm em reserva o conteúdo explícito do acordo e só publicaram trechos em um comunicado no dia do encontro entre o presidente colombiano e o líder das Farc. /AFP

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