AFP PHOTO / Luis ACOSTA
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Líder das Farc desiste de vaga no Senado

Iván Márquez protestou pela prisão do ex-guerrilheiro Jesus Santrich, acusado de tráfico de drogas

O Estado de S.Paulo

16 Julho 2018 | 21h27

BOGOTÁ - Iván Márquez, número dois e ex-chefe negociador das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) anunciou nesta segunda-feira que não assumirá o cargo de senador, na sexta-feira. Márquez protestou pela prisão do ex-guerrilheiro Jesus Santrich, acusado de tráfico de drogas, e denunciou uma “desfiguração” do acordo de paz, assinado em 2016, que permitiu a desmobilização da guerrilha.

Márquez e outros nove ex-guerrilheiros deveriam tomar posse no Senado na sexta-feira. No entanto, em carta divulgada nesta segunda-feira, ele alega “circunstâncias intransponíveis que foram interpostas em sua posse como senador”. Benkos Bioho, também ex-guerrilheiro, assumirá na vaga de Márquez. “Eu sinto que a paz colombiana está presa nas redes da traição”, disse o ex-guerrilheiro. 

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Santrich, uma das razões da desistência de Márquez, foi indiciado em abril por um tribunal americano por formação de quadrilha e tentativa de enviar dez toneladas de cocaína para os EUA. O carregamento tem valor de mercado de US$ 320 milhões. 

Santrich, que foi um dos principais negociadores das Farc no processo de paz, em Havana, foi flagrado intermediando a comprar da droga com narcotraficantes colombianos. O crime teria sido cometido após a assinatura do acordo de paz, o que deixaria o ex-guerrilheiro de fora da jurisdição especial que deve julgar casos envolvendo as Farc. 

O ex-guerrilheiro agora tenta evitar a extradição para os EUA. Mesmo diante das evidências apresentadas, Márquez chamou a prisão do ex-guerrilheiro de “armadilha judicial” que ameaça o acordo de paz. / REUTERS e AP 

 

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