Jim Urquhart/REUTERS
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Líder de grupo de extrema direita é indiciado e pode pegar até 20 anos por invasão ao Capitólio

Stewart Rhodes foi preso nesta quinta-feira, 13, acusado de conspiração sediciosa

Alan Feuer e Adam Goldman / The New York Times, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2022 | 19h24
Atualizado 14 de janeiro de 2022 | 15h57

WASHINGTON - O líder e fundador da milícia de extrema direita Oath Keepers, Stewart Rhodes, foi preso nesta quinta-feira, 13, e acusado de conspiração sediciosa por organizar um plano para invadir o Capitólio em 6 de janeiro de 2021, informaram autoridades americanas. Esta é a primeira vez que os promotores apresentam uma acusação de sedição, a mais grave até o momento. Também nesta quinta-feira, a comissão da Câmara dos Deputados que investiga a insurreição emitiu intimações contra grandes empresas de mídias sociais, como Twitter e YouTube.

Rhodes, um ex-paraquedista do Exército que se formou em Direito em Yale, está sob investigação por seu papel no motim desde pelo menos a primavera passada (Hemisfério Morte), quando, contra o conselho de seu advogado, se sentou com agentes do FBI para uma entrevista no Texas. Ele estava no Capitólio em 6 de janeiro, se comunicando por celular com membros de sua equipe, muitos dos quais entraram no prédio, mas não há evidências de que ele tenha entrado no Capitólio.

O Oath Keepers emergiu como um dos grupos extremistas de direita mais proeminentes na invasão ao Capitólio, ao lado do Proud Boys. Os promotores coletaram milhares de páginas de provas contra eles, incluindo bate-papos criptografados e gravações de reuniões online. Eles acusaram seus membros não apenas de forçar a entrada no prédio fazendo uma “pilha” de estilo militar, mas também de posicionar uma “força de reação rápida” armada em um hotel na Virgínia para estar pronta para invadir Washington, se necessário.

Por meio de seus advogados, membros do Oath Keepers que já estão enfrentando acusações disseram que convergiram para Washington pouco antes de 6 de janeiro como parte de uma equipe de segurança contratada para proteger celebridades conservadoras como Roger Stone, aliado de longa data do ex-presidente Donald Trump.

Em entrevista ao The New York Times no meio do ano passado, Rhodes expressou frustração por vários membros de seu grupo terem “saído da missão” ao entrar no Capitólio em 6 de janeiro, acrescentando rapidamente: “Não houve nenhuma instrução minha ou da liderança para fazê-lo.”

Mas pelo menos quatro membros do Oath Keepers que estavam no Capitólio naquele dia e estão cooperando com o governo juraram em documentos judiciais que o grupo pretendia invadir o prédio com o objetivo de obstruir a certificação final do voto do Colégio Eleitoral.

Rhodes também atraiu a atenção da comissão da Câmara dos Deputados que investiga a invasão, que lhe emitiu uma intimação em novembro. Em uma carta na época, os investigadores da Câmara observaram que Rhodes havia participado de vários eventos destinados a questionar a eleição presidencial de 2020 durante o outono e o inverno (hemisfério norte).

No dia da eleição, dizia a carta, Rhodes disse que uma contagem “honesta” dos votos só poderia resultar em uma vitória para Trump e pediu aos membros de seu grupo que “estoquem munição” e se preparem para uma “guerra total nas ruas."

Uma semana antes do dia da eleição, Rhodes disse ao teórico da conspiração Alex Jones que tinha homens estacionados fora de Washington preparados para agir sob o comando de Trump.

A campanha continuou durante o inverno, dizem os promotores, quando Rhodes apareceu em um comício pró-Trump em Washington em 12 de dezembro de 2020 e pediu a Trump que invocasse a Lei da Insurreição, sugerindo que uma falha em fazê-lo resultaria em um “ guerra muito mais sangrenta.” No comício, Rhodes reconheceu em uma entrevista na televisão que ele e membros de seu grupo estavam lá para fornecer segurança para oradores de celebridades junto com outra organização paramilitar sombria, a Primeira Emenda Pretoriana.

Em 4 de janeiro, apenas dois dias antes da tomada do Capitólio, Rhodes postou um artigo no site Oath Keepers pedindo a “todos os patriotas” que “apoiem a luta do presidente Trump para derrotar os inimigos estrangeiros e domésticos.”

No fim de março, o próprio Rhodes reconheceu publicamente que o FBI estava atrás dele, declarando durante um discurso inflamado na fronteira do Texas que o Departamento de Justiça havia realizado uma “campanha de perseguição” contra seu grupo. "Eu posso ir para a cadeia em breve, não por algo que eu realmente fiz, mas por crimes inventados", disse ele.

A acusação de conspiração sediciosa, que pode ser difícil de provar, exige que os promotores demonstrem que pelo menos duas pessoas concordaram em usar a força para derrubar a autoridade do governo ou atrasar a execução de uma lei dos EUA. A pena máxima é de 20 anos de prisão.

Gigantes investigadas

Meses depois de solicitar documentos de mais de uma dúzia de plataformas sociais, a comissão da Câmara que investiga a insurreição do Capitólio emitiu intimações visando Twitter, Meta (ex-Facebook), Reddit e YouTube.

O presidente da comissão, deputado Bennie Thompson, exigiu na quinta-feira registros das empresas relacionados aos seus papéis na propagação de desinformação sobre as eleições de 2020 e na promoção do extremismo violento doméstico em suas plataformas antes da insurreição de 6 de janeiro de 2021.

"Duas questões-chave para a comissão são como a disseminação de desinformação e extremismo violento contribuíram para o ataque violento à nossa democracia, e quais medidas -- se houver -- as empresas de mídia social tomaram para evitar que suas plataformas sejam terreno fértil para radicalizar as pessoas para violência", disse Thompson na carta.

Ele acrescentou que é "decepcionante que, após meses de envolvimento", as empresas não tenham entregue voluntariamente as informações e documentos necessários para ajudar os legisladores a responder às questões centrais de sua investigação. /NYT e AP

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