Líder de grupo radical islâmico é capturado e morto na Nigéria

Soldados estavam a procura de Mohammed Yusuf, chefe de seita que iniciou onda de violência que já matou 600

30 de julho de 2009 | 17h37

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MAIDUGURI, Nigéria - O líder de uma seita radical islâmica no norte da Nigéria foi morto em um centro de detenção horas após ser capturado pelas forças de segurança, disse um porta-voz da polícia nesta quinta-feira, 30. "Ele (Mohammed Yusuf) foi morto, podem ver seu corpo na sede do comando da polícia estatal", afirmou Isa Azare, representante do comando policial da cidade de Maiduguri.

 

A violência na região começou no domingo, quando o grupo islâmico Boko Haram, liderado por Yusuf, atacaram igrejas, prédios do governo, e postos policiais. Munidos de fuzis, facões, machados e bombas caseiras, os militantes protestavam contra a prisão de líderes do grupo no Estado de Bauchi. Não está claro quantas pessoas morreram desde o fim de semana, mas agência France Press afirma que o número de vítimas nos últimos cinco dias pode chegar a 600.

 

Nesta quinta, em um novo episódio de violência, tropas nigerianas bombardearam um complexo religioso da Boko Haram (a educação é proibida, na língua local) e invadiram uma mesquita na cidade de Maiduguri, provocando um confronto armado que deixou ao menos 100 militantes mortos. Segundo a agência de notícias Reuters, o número de vítimas pode chegar a 180.

 

O comandante militar da divisão, Saleh Maina, assinalou na ocasião que Mohammed Yusuf havia escapado com outros 300 seguidores, mas que seu vice foi morto no ataque. A ação era parte de uma campanha do Exército que seguia de casa em casa em busca do líder da seita e de seus simpatizantes.

 

Além de forçar a aplicação da lei islâmica (sharia), o Boko Haram tenta impedir que o governo adote um modelo educacional ocidentalizado na Nigéria. "Não acreditamos na educação do Ocidente. Ela corrompe nossas ideias e crenças. Por isso estamos nos levantado, para defender nossa religião", disse o militante Abdulmuni Ibrahim, detido na segunda-feira no Estado de Kano.

 

Yusuf é acusado de mobilizar milhares de jovens estudantes e desempregados contra o governo, num movimento que, segundo especialistas, poderia ter ligações com grupos terroristas internacionais. Mais de 4 mil pessoas fugiram dos ataques nos últimos dias, deixando aldeias nas áreas rurais para buscar refúgio nos subúrbios das cidades. Os ataques levaram comerciantes a fechar as portas, apesar das garantias de segurança dadas pelo governo.

 

Mais de 200 grupos étnicos vivem em relativa paz na Nigéria, país mais populoso da África, com 140 milhões de habitantes. A última guerra civil, entre 1967 e 1970, deixou entre 500 mil e 2 milhões de nigerianos mortos. Desde então, o governo enfrenta apenas surtos esporádicos de violência.

 

Em abril de 2007, forças de segurança mataram 25 militantes radicais islâmicos depois de um dia de confrontos no Estado de Kano, dias antes da eleição presidencial. Seis meses depois, o Serviço de Segurança Estatal (SSS, na sigla em inglês) capturou um grupo de militantes islâmicos acusado de manter laços com a Al-Qaeda. Na época, diplomatas ocidentais expressaram preocupação com a possibilidade de o país converter-se em um reduto para grupos como a Al-Qaeda e o Taleban.

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