Líder de Hong Kong deseja realizar diálogo com manifestantes

Líder de Hong Kong deseja realizar diálogo com manifestantes

Leung Chun-ying ressaltou que, mesmo com conversas, o sistema eleitoral para 2017 não será alterado pelo governo chinês

O Estado de S. Paulo

16 de outubro de 2014 | 12h18

HONG KONG - O líder Hong Kong, Leung Chun-ying, procurou reduzir a tensão com os manifestantes pró-democracia nesta quinta-feira, 16, dizendo esperar que os dois lados possam conversar na próxima semana, mas a revolta pela violência policial e brigas de rua indicam que os estudantes não estão dispostos a desistir dos protestos.

"Durante os últimos dias, transferimos aos estudantes o nosso desejo de querer iniciar um diálogo oficial para discutir o sufrágio universal o quanto antes, com sorte na semana que vem", disse o chefe do Executivo da região.

Leung deu a declaração depois de mais de duas semanas de manifestações que paralisaram partes da cidade e ganharam manchetes mundiais, com cenas de confrontos violentos em meio a alguns dos edifícios de escritórios mais valiosos do mundo.

O governo deve nomear um intermediário e prevê que as conversas sejam feitas em várias rodadas de encontros.

Os manifestantes exigem eleições livres para o líder de Hong Kong em 2017, mas o governo chinês manteve a decisão de selecionar os candidatos que poderão participar da disputa. Leung reiterou que o governo não está disposto a fazer concessões.

"A decisão da Assembleia Nacional Popular (Legislativo da China) sobre a reforma eleitoral não pode ser revisada para 2017. Não há eleição direta em todas as democracias ocidentais", disse Leung, referindo-se à escolha do dirigente de Hong Kong, quando um repórter o desafiou sobre a forma como as negociações podem avançar quando ele estava descartando qualquer possibilidade de mudança no quadro eleitoral.

A secretária-chefe Carrie Lam cancelou conversações com líderes estudantis no início deste mês, dizendo ser impossível ter um diálogo construtivo com eles.

Nas primeiras horas desta quinta-feira, a polícia usou spray de pimenta para impedir que manifestantes bloqueassem uma via principal perto do gabinete de Leung, em meio à indignação popular pelo espancamento de um manifestante pela polícia no dia anterior. Cenas da agressão foram gravadas.

Centenas de pessoas se reuniram diante da sede da polícia, no distrito de entretenimento de Wan Chai, para expressar indignação pelo espancamento e dezenas de pessoas fizeram fila para apresentar queixas formais.

As autoridades disseram na quarta-feira que o policial envolvido no espancamento de Ken Tsang, um membro do Partido Cívico, pró-democracia, seria suspenso./ EFE e REUTERS

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