Líder de Israel pede intervenção na Síria

Shimon Peres defende a criação de uma força de paz da ONU integrada por árabes e a formação de um governo provisório pela Liga Árabe

ESTRASBURGO, FRANÇA, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2013 | 10h17

O presidente de Israel, Shimon Peres, defendeu ontem uma intervenção da Liga Árabe na Síria. Peres, que falou ao Parlamento Europeu, disse que a entidade deve formar um governo provisório, com o apoio das forças de paz da ONU. O conflito intensificou-se ontem nas cidades de Homs e Alepo e houve confrontos entre rebeldes e tropas leais a Bashar Assad na principal rodovia que liga o aeroporto internacional a Damasco.

Israel teme que, com a desestabilização da Síria, o arsenal de armas químicas mantido pelo regime de Assad caia nas mãos de fundamentalistas. Em seu discurso ao Parlamento Europeu, o primeiro de um chefe de Estado israelense em quase 30 anos, Peres disse que o mundo livre "não pode ficar parado quando um massacre é feito pelo presidente sírio contra seu próprio povo e seus próprios filhos".

Para o presidente de Israel, "a intervenção de forças ocidentais seria percebida como uma interferência estrangeira", por isso, o caminho para pôr fim ao conflito que já dura dois anos seria "capacitar a Liga Árabe, da qual a Síria é membro, para intervir."

A missão de observação da Liga Árabe na Síria, em janeiro do ano passado, durou apenas um mês e foi cancelada após tentativas frustradas de deter a campanha de Assad contra os rebeldes.

"A Liga Árabe pode e deve formar um governo provisório na Síria para deter o massacre e prevenir a Síria de cair aos pedaços", disse Peres. "As Nações Unidas devem dar apoio à Liga Árabe na construção de uma força árabe de capacetes azuis (como são chamadas as forças de paz da ONU)."

Em seu discurso, o presidente israelense de 89 anos, ganhador do Nobel da Paz, disse ainda que a formação de um novo governo de Israel pode trazer a retomada das negociações de paz com os palestinos. Ele destacou o Irã como o inimigo "número 1" do mundo. "O maior perigo para a paz no mundo é o atual regime iraniano", disse, mencionando não apenas o programa nuclear do Irã, mas também as violações dos direitos humanos no país. Peres também criticou o Irã por apoiar o terrorismo global, principalmente por meio do Hezbollah, a quem acusou de dividir o Líbano, apoiar Assad e semear o terror em todo o mundo, até mesmo na Europa.

A União Europeia está sob pressão dos EUA e Israel para incluir o Hezbollah na lista de organizações terroristas. "Nós apelamos a vocês: chamem o terror de terror. Salvem o Líbano da loucura do terrorismo. Salvem o povo sírio da proxy do Irã. Salvem seus cidadãos e os nossos do Hezbollah", declarou Peres.

Armas. O premiê britânico, David Cameron, disse ontem que poderá ignorar o embargo sobre a venda de armas à Síria e fornecer armamento aos rebeldes. Pelo terceiro dia, as forças de oposição a Assad tentaram retomar o controle de Bab Amr, no centro de Homs, mas foram cercadas por tropas leais ao ditador. Os novos confrontos teriam forçado 3 mil famílias a deixar o bairro. Os rebeldes acusam o Exército sírio de executar pelo menos 30 desertores em uma emboscada na principal rodovia de acesso ao aeroporto internacional de Damasco. / AFP e REUTERS

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