Líder de manifestações na Tailândia sofre atentado

O líder dos protestos que ajudaram a derrubar o governo da Tailândia em 2006 e paralisaram a capital do país no ano passado, Sondhi Limthongkul, foi vítima de um atentado hoje, elevando a tensão política que havia começado a esfriar após dias de protestos das forças opositoras. Bangcoc continua sob estado de emergência e a segurança do primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva foi reforçada. O premier disse que o ataque não deve ser usado como uma desculpa para novos conflitos políticos. "Estamos preocupados com o ataque, obviamente. Temos de restaurar a ordem", afirmou. "Não queremos que isso seja usado para criar um conflito ainda maior."

AE-AP, Agencia Estado

17 de abril de 2009 | 20h47

Mas o atentado foi um novo episódio nas tensões entre os correligionários do governo de Abhisit e os partidários do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, que foi deposto por um golpe militar três anos atrás e cujos aliados foram retirados do poder pelo Judiciário no ano passado.

Sondhi, um magnata da mídia e fundador da Aliança Popular pela Democracia, sofreu uma emboscada quando ia para o trabalho. Pelo menos dois homens numa picape abriram fogo contra seu carro com rifles de assalto M-16 e AK-47, disse o porta-voz da polícia Suporn Pansua. As balas quebraram o para-brisa e os vidros traseiros. O motorista de Sondhi ficou seriamente ferido e um auxiliar também sofreu ferimentos, disse a polícia.

Sondhi, cuja aliança das "camisas amarelas" ajudou a instalar o atual governo, estava em estado estável depois de uma cirurgia para remover "pequenos pedaços de balas" de sua cabeça, informou o diretor do Hospital Vajira, Chaiwan Charoenchoktawee. Sondhi estava consciente, conversando e não sofreu danos cerebrais, disse o diretor.

O magnata usou seu império de comunicações para influenciar, organizar e liderar protestos antes da derrubada de Thaksin em 2006 e mais uma vez no ano passado para retirar os aliados do ex-premier do poder. Os correligionários de Sondhi são principalmente da classe média e da elite educada, e inclui monarquistas, acadêmicos e militares. Os partidário de Thaksin provém principalmente da zona rural pobre que apreciam seus programas sociais.

As manifestações do segundo semestre do ano passado paralisaram o governo por meses e ocuparam os aeroportos da capital por uma semana. Elas foram encerradas após uma decisão do Judiciário que retirou dois aliados de Thaksin do governo, preparando terreno para a subida de Abhisit ao poder em dezembro.

Camisas vermelhas

A decisão judicial levou aos recentes protestos da força política rival, os "camisas vermelhas", que apoiam Thaksin e afirmam que Abhisit não tem mandado popular para ocupar o governo. Suas manifestações levaram cerca de 100 mil pessoas para as ruas de Bangcoc na semana passada e forçaram o cancelamento de uma cúpula regional. Os protestos foram cancelados na terça-feira depois de vários dias de violentos confrontos que resultaram em ameaças de uma resposta militar.

Abhisit disse que a decisão de manter o estado de emergência imposto no domingo não foi tomada por causa das manifestações. Segundo ele, a decisão foi tomada depois de "observado o cenário geral" e que não foi uma resposta direta ao ataque contra Sondhi. O porta-voz do governo, Panitan Wattanayagorn, disse que a segurança de Abhisit será reforçada e "podemos não revelar sua agenda como de costume". Veículos que levavam Abhisit foram atacados duas vezes por camisas vermelhas antes e durante as manifestações desta semana. O primeiro-ministro foi para seu escritório na quinta-feira pela primeira vez em três semanas.

Os camisas vermelhas estão irritados com o fato de que muitos de seus líderes foram detidos na última semana, enquanto o processo contra Sondhi e seus aliados em razão da tomada dos aeroportos em 2008 caminha a passos lentos. Os correligionários de Sondh consideram o ataque uma provocação. "Está bastante claro que foi político", disse Panthep Paopongpan, porta-voz do grupo, que interrompeu a declaração pouco antes de acusar especificamente qualquer facção.

Calma

Mas outro líder dos camisas amarelas, Samran Rodpej, pediu que seus correligionários permaneçam calmos. "Os oponentes querem que tomemos medidas de reação ao ataque. Eles querem desestabilizar ainda mais a situação. Pedimos que vocês fiquem calmos e sigam os acontecimentos. Não temos planos de nos reunirmos nas ruas", disse ele.

O chefe de polícia de Bangcoc, Worapong Chiewpreecha, disse que é muito cedo para especular sobre os motivos do ataque. "Estamos investigando todas as razões possíveis, incluindo as polícias e empresariais, mas não devemos tirar conclusões precipitadas", afirmou. O comandante do Exército tailandês, general Anupong Paochinda, disse que soldados continuam nas ruas da capital para fornecer segurança ao público e evitar tentativas de tumultos.

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