Líder de oposição do Zimbábue deixa embaixada e pede transição

O líder oposicionista do Zimbábue,Morgan Tsvangirai, pediu na quarta-feira que a União Africana,que tem o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), lidereum processo de transição no Zimbábue depois das disputadaseleições e da violência política que eclodiu."Peço à União Africana e à Comunidade de DesenvolvimentoAfricano que liderem uma iniciativa com apoio da ONU paraadministrar o que eu chamo de processo de transição", disseTsvangirai em uma coletiva dada em sua casa, para onde foidepois de deixar a embaixada holandesa em Harare. Ele buscou proteção ali desde domingo, quando desistiu dosegundo turno, agendado para sexta-feira, devido à violênciacontra seus seguidores. O líder oposicionista disse que as eleições seriam umafarsa. Tsvangirai afirmou ainda que o seu partido, o MDC, não vainegociar com o governo de Robert Mugabe depois de sexta-feira eque "nada terá a ver com o governo que emergir da votação". A pressão para que presidente Robert Mugabe adie aseleições cresce tanto interna quanto externamente. Em 29 demarço, o MDC venceu as eleições parlamentares. Nas eleições presidenciais, cujo resultado demorou para seranunciado, o MDC não conseguiu a maioria exigida para vencer oprimeiro turno. Na quarta-feira, líderes sul-africanos fizeram uma reuniãode emergência no Zimbábue e no Quênia para decidir umaintervenção -- eles disseram que o país corre o risco de sofrerum massacre parecido com o de Ruanda. A Grã-Bretanha disse que está preparando sanções maispesadas contra membros específicos do governo do Zimbábue. O premiê do Quênia, Raila Odinga, disse a repórteres:"Agora, o Zimbábue é um desastre em potencial." Ele acha que avotação de sexta deve ser adiada. "Se o mundo não agir agora, logo teremos uma situação muitosimilar à que vimos em Ruanda", disse, referindo-se aogenocídio de 1994, no qual 800 mil pessoas morreram. (Reportagem adicional de Ralph Gowling, Marius Bosch eDuncan Miriri)

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