Líder de oposição no Zimbábue viaja após confisco de passaporte

Autoridades do Zimbábue confiscaram porum curto período da quinta-feira o passaporte do líderoposicionista Morgan Tsvangirai, ameaçando impedi-lo de deixaro país para participar de uma cúpula regional na África do Sul,disse um integrante do partido Movimento para a MudançaDemocrática (MDC), ao qual pertence o político. Tsvangirai disse ter sido convidado para comparecer àcúpula da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral(SADC, na sigla em inglês), que terá o presidente sul-africanoThabo Mbeki como anfitrião. Mbeki media um acordo para apartilha do poder no Zimbábue entre a oposição e o presidentezimbabuano, Robert Mugabe. Mas a partida do líder oposicionista foi atrasada depoisquando agentes da Organização Central de Inteligênciaconfiscaram os documentos emergenciais de viagem usados porTsvangirai, além dos passaportes de outros integrantes de seupartido, o Movimento pela Mudança Democrática (MDC, na sigla eminglês). As negociações sobre um governo de coalizão entraram em umimpasse nessa semana devido a divergências em torno dos postosde liderança. Andrew Chadwick, autoridade do Movimento pela MudançaDemocrática, disse que os documentos foram devolvidos sem quefossem dadas explicações. "Eles estão com os passaportes agora. Eles partirão (para aÁfrica do Sul) no vôo das 18h (13h em Brasília)." Tsvangirai tem usado documentos emergenciais de viagemdesde que o governo do Zimbábue se recusou a renovar opassaporte do líder oposicionista quando o documento venceu. O incidente deve elevar as tensões entre Mugabe eTsvangirai, além de provocar constrangimento a Mbeki, criticadopor ser brando demais com o presidente do Zimbábue, alegandoque pressões somente agravariam os problemas do país. A repórteres, Tsvangirai havia dito pouco antes daapreensão de seu documento de viagem, ter certeza sobre aretomada das negociações com Mugabe. Segundo o oposicionista, o processo não poderia seravaliado devido ao impasse em torno de uma questão. E disse quesempre haveria pessoas capazes de superar esses impasses. Questionado pelos repórteres sobre se confiava naassinatura de um acordo, Tsvangirai respondeu: "Ah, sim, claro.Obtivemos nossa independência depois de quantas negociações?Centenas de encontros foram realizados." As discussões sobre a formação de um governo conjuntoiniciaram-se no mês passado depois de, em junho, Mugabe terconcorrido como candidato único no segundo turno das eleiçõespresidenciais. O processo foi condenado pela comunidadeinternacional e boicotado por Tsvangirai por causa dasagressões sofridas por simpatizantes dele. Até agora, as negociações realizadas em Harare, ao longo detrês dias, não resultaram em um acordo.

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