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Líder democrata na Câmara busca apoio para condenar tuíte racista de Trump 

Depois de uma controvérsia sobre seus comentários, Trump voltou a falar sobre as congressistas e disse que elas 'amam os inimigos' dos EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2019 | 16h43

WASHINGTON - A líder da maioria democrata na Câmara, Nancy Pelosi (Califórnia), pediu nesta segunda-feira, 15, apoio para uma resolução que condene os tuítes do presidente Donald Trump nos quais ele diz a um grupo de congressistas mulheres liberais, representantes de minorias, que "volte" para seus países. 

Trump afirmou no domingo que as legisladoras em questão - de origem latina, palestina e somali, bem como uma afro-americana - vêm de países "cujos governos são uma catástrofe completa e total, a pior, a mais corrupta e inepta de todo o mundo" e que deveriam voltar para lá. Depois de uma controvérsia sobre seus comentários, Trump voltou a falar sobre elas hoje e disse que, "se elas não estão felizes nos Estados Unidos, podem ir" e que essas congressistas" amam os inimigos" do país.

Em uma carta a colegas democratas, Pelosi disse que Trump foi muito "além de seu próprio padrão de linguagem de baixo calão ao falar sobre membros do Congresso" e os democratas deveriam responder a esses atos repugnantes". 

O anúncio de Pelosi sobre a resolução foi feito ao mesmo tempo em que Trump reforçou suas críticas às congressistas, acusando-as de "racistas" e sugerindo que elas é quem deveriam se desculpar com os EUA, Israel e ele. 

Um voto de repreensão a Trump, que se refere ao grupo como "Esquadrão" - ele inclui Ayanna Pressley, Rashida Tlaib, Alexandria Ocasio-Cortez e Ilhan Omar -, poderia unificar uma bancada democrata que tem se engajado em uma guerra civil direta nos últimos dias. 

Uma condenação na Câmara também poderia colocar republicanos em uma situação difícil sobre os comentários amplamente considerados racistas. 

Os republicanos no Congresso têm, em sua maioria, se mantido em silêncio sobre essa questão, temendo uma repreensão a um líder da Casa Branca muito popular em sua base eleitoral. 

Em um evento da Casa Branca na tarde desta segunda-feira, Trump disse não considerar "nem todos os seus tuítes racistas" ao responder a pergunta de um repórter. 

Mais cedo, ao postar no Twitter, Trump recorreu a uma tática já usada antes: acusar seus oponentes de terem cometido a mesma agressão da qual ele está sendo criticado. 

"Quando as Congressistas de Esquerda Radical se desculparão a nosso país, ao povo de Israel ou até mesmo ao Gabinete do Presidente pela linguagem baixa que elas têm utilizado e pelas coisas horríveis que têm dito", escreveu Trump. "Muitas pessoas estão com raiva delas e suas ações horríveis e repugnantes!". 

Mais tarde, ele criticou os democratas por defender as congressistas, que ele disse demonstrar "ódio racista" em seu discurso e são "muito impopulares e não representativas". 

Os tuítes de Trump foram aparentemente direcionados às recém-eleitas congressistas que têm se alinhado com a líder Pelosi: Pressley, Tlaib, Ocasio-Cortez e Omar. Apenas uma delas, Omar, nasceu fora dos EUA. Ela nasceu na Somália e foi levada ainda pequena para os EUA por sua família que fugia da guerra civil no país. Omar se tornou cidadã americana ainda adolescente. 

Todas as quatro têm defendido o impeachment de Trump - Tlaib chegou a usar palavrões - e têm sido muito críticas da administração do republicano, principalmente denunciando as condições das detenções federais de imigrantes na fronteira dos EUA com o México. 

Trump aparentemente se referia a Omar e Tlaib ao mencionar os comentários sobre Israel. 

No início deste ano, Omar se desculpou após ter sido amplamente acusada de antissemitismo por sugerir que os apoiadores do governo de Israel tem demonstrado uma "fidelidade a um país estrangeiro". 

Tlaib, filha de imigrantes palestinos, defendeu a chamada "solução de um Estado" para o conflito entre israelenses e palestinos.

Argumentando que o governo do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, efetivamente se opõe a uma solução de dois Estados - um palestino e um israelense -, ela tem manifestado apoio à transformação de Israel em uma única nação árabe-judaica, governada em conjunto. A ideia, porém, tem pouco apoio de ambos os lados.  / W. POST e AFP

 

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