Líder democrática se reúne com militares em Mianmar

Aung San Suu Kyi deixa prisão domiciliar e deve encontrar negociador da junta, o general Aung Kyi

Efe e Reuters,

25 de outubro de 2007 | 08h43

A líder da oposição birmanesa, Aung San Suu Kyi, foi levada da residência onde cumpre prisão domiciliar para se reunir com o interlocutor oficial nomeado pela Junta Militar de Mianmar (antiga Birmânia), disseram fontes diplomáticas nesta quinta-feira, 25. Suu Kyi, líder da Liga Nacional pela Democracia (LND) e Nobel da Paz, chegou de carro à casa de hóspedes do governo, situada no centro de Rangun. A Junta Militar nomeou em setembro o general Aung Kyi como interlocutor oficial com a oposição e as Nações Unidas, pouco depois da visita oficial do enviado especial da ONU, Ibrahim Gambari, a Mianmar realizada de 28 de setembro a 2 de outubro. O general Aung Kyi, que esteve à frente das negociações entre Mianmar e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre a mão-de-obra forçada no país asiático, foi escolhido como ministro do Trabalho nesta quarta-feira. Em meados deste mês, a televisão estatal anunciou que o chefe da Junta Militar, general Than Shwe, tinha proposto a Gambari realizar uma reunião com a líder opositora, se ela abandonasse sua atitude de "confronto". Com Suu Kyi à frente, a LND venceu por arrasadora maioria as eleições gerais realizadas em 1990, cujos resultados nunca foram reconhecidos pelos generais que comandam o país. Sanções chinesas O enviado da Organização das Nações Unidas (ONU) a Mianmar encerrou nesta quinta-feira conversas com a China sem nenhuma indicação de que o país concordará em pressionar a junta militar birmanesa. Ibrahim Gambari está na Ásia para tentar convencer os vizinhos de Mianmar, especialmente Índia e China, a tomar medidas mais duras contra o governo militar do país, que duramente reprimiu protestos pró-democracia liderados por monges budistas.  A China hesita em apoiar sanções contra qualquer país, além de ter fortes interesses econômicos e estratégicos em Mianmar, assim como a Índia. Depois de reuniões com Gambari, diplomatas chineses voltaram a declarar que o diálogo, e não sanções, é a melhor abordagem para a situação. "A questão de Mianmar tem que ser apropriadamente resolvida por seu próprio povo e governo, através de seus próprios esforços de diálogo e consultas", afirmou o conselheiro estatal chinês, Tang Jiaxuan, a Gambari. "A comunidade internacional deve prover ajuda construtiva para isso e não deve somente se valer da imposição de sanções e pressão", disse ele, em declarações colocadas no site da Chancelaria chinesa.

Tudo o que sabemos sobre:
Aung San Suu KyiMianmar

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.