Líder deposto acampa na fronteira

Um dia depois de breve incursão em Honduras, Zelaya diz que ?organizará resistência? em zona fronteiriça

Roberto Lameirinhas, O Estadao de S.Paulo

25 de julho de 2009 | 00h00

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, anunciou ontem que instalará um acampamento em Las Manos, na fronteira entre a Nicarágua e Honduras, de onde pretende regressar eventualmente a seu país. "Estamos organizando a resistência. Vamos montar um acampamento com água e comida e permanecer aqui no fim de semana para receber meus amigos e minha família", disse a poucos metros da divisa oficial.   Mais informações: especial sobre mandatos esticadosRetida no povoado de Danlí, a 20 quilômetros, estava a mulher de Zelaya, Xiomara, e os filhos do casal. "Não permitem que eu passe", disse ao Estado. "Estão negando ao presidente constitucional de Honduras o direito de reunir-se com sua família." Em nota, o governo de facto de Roberto Micheletti informou ter oferecido um avião para Xiomara, que teria recusado a oferta.Zelaya anunciou que montaria o acampamento um dia depois de ter pisado simbolicamente em solo hondurenho pela primeira vez desde o golpe de Estado do dia 28. Na sexta-feira, ele cruzou a fronteira e ficou em Honduras por meia hora antes de voltar à Nicarágua.O governo de facto qualificou a breve entrada de "irresponsável" e manteve ontem a área sob estado de sítio virtual, com pelo menos uma dezena de bloqueios militares e impondo toque de recolher. Em desafio aberto às medidas, partidários de Zelaya permaneceram mobilizados na zona fronteiriça.Na cidade de El Paraiso, a situação ficou tensa logo pela manhã, quando um cadáver de um homem com marcas de tortura foi encontrado em um terreno baldio. A população saiu às ruas revoltada: "Contem ao mundo como a ditadura de Micheletti está tratando a população", gritou à reportagem do Estado uma mulher, aos prantos.Horas depois de, em Tegucigalpa, Micheletti ter recebido uma missão de congressistas republicanos dos EUA, na fronteira, Zelaya rejeitou viajar a Washington na terça-feira, para reunir-se com a secretária de Estado Hillary Clinton, como previsto. "Se alguém quer falar comigo, mande um delegado para cá", disse o presidente deposto. Ele também criticou Hillary, dizendo que ela "não está bem informada" sobre a situação. Apesar da ordem de prisão contra Zelaya, o chefe da Polícia Nacional, Manuel Escoto, afirmou ontem que seus soldados não o detiveram na véspera para evitar um confronto e porque a área aonde ele chegou, cerca de cinco metros após a divisa, ainda poderia ser considerada zona internacional. Aliado do presidente venezuelano, Hugo Chávez, Zelaya é acusado de violar a Constituição ao convocar uma consulta popular para reformar a Carta, o que abriria caminho para que voltasse a se eleger.

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