Líder deposto de Honduras deve ter encontro com Hillary

Reunião de Manuel Zelaya em Washington com secretária de Estado seria encontro de mais alto nível do presidente afastado com um representante dos EUA.

Bruno Garcez, BBC

07 de julho de 2009 | 01h48

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, partiu nesta segunda-feira de Manágua, a capital nicaraguense, com destino a Washington, onde deverá se encontrar com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton.

Este será o encontro de mais alto nível já mantido entre uma autoridade americana e o líder hondurenho, afastado do poder no domingo passado.

Antes, Zelaya já havia se reunido com represenatantes do Departamento de Estado menos graduados:o secretário-assistente para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Thomas Shannon, e Dan Restrepo, o principal assessor para a América Latina do Conselho de Segurança Nacional

O governo do presidente Barack Obama não reconheceu a autoridade do governo interino hondurenho, encabeçado pelo presidente Roberto Micheletti, e pediu a recondução imediata de Zelaya ao cargo.

A despeito da ampla condenação, os Estados Unidos não chegaram a retirar seu embaixador de Tegucigalpa, a capital hondurenha, diferentemente das demais nações latino-americanas e da Espanha.

Deposição

Zelaya foi deposto por um grupo de 200 militares que invadiram o Palácio Presidencial e obrigaram-no a embarcar em um vôo com destino à Costa Rica.

No dia em que foi afastado, o líder deposto pretendia realizar uma consulta popular com vistas à criação de uma Assembléia Constituinte.

Segundo os críticos do presidente deposto, a intenção de Zelaya seria, através da Assembleia Constituinte, se manter no poder por um período que ultrapassasse o final de seu mandato de quatro anos, que termina em janeiro do ano que vem.

A Constituição hondurenha só admite mandatos de quatro anos por vez para seus mandatários, sem direito à reeleição.

Delegação

Paralelamente à visita de Zelaya, o governo interino hondurenho também enviou a Washington uma delgação que visa promover negociações com a Organização dos Estados Americanos (OEA).

Os 33 integrantes do bloco decidiram, por unanimidade, suspender o país da organização neste final de semana. De acordo com Micheletti, o envio da missão é uma forma de romper com o isolamento em que Honduras se encontra desde a deposição de Zelaya.

O grupo também deverá se encontrar com congressistas e jornalistas americanos, a fim de explicar as razões que teriam levado à deposição de Zelaya. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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