AP Photo/Virginia Mayo
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Líder deposto defende sua capacidade de governar a Catalunha mesmo na Bélgica

Se voltar à Espanha, Carles Puigdemont pode ser preso, já que a Justiça quer julgá-lo por rebelião e sedição

O Estado de S.Paulo

19 Janeiro 2018 | 14h34

BARCELONA - O líder deposto Carles Puigdemont defendeu nesta sexta-feira, 19, sua capacidade de governar a Catalunha mesmo estando na Bélgica, e evitar assim ser preso se voltar à Espanha, onde a Justiça quer julgá-lo por rebelião e sedição após a fracassada tentativa de secessão.

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"Não posso ser presidente se for presidiário. Na prisão, eu não poderia me dirigir às pessoas, não poderia escrever, nem receber as pessoas", afirmou Puigdemont em entrevista à emissora pública Catalunya Radio.

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"A única maneira é poder continuar fazendo isso em liberdade e com segurança", acrescentou, assegurando que "hoje em dia os grandes projetos acadêmicos, empresariais e de investigação são feitos fundamentalmente com o uso de novas tecnologias", enfatizou.

Os dois principais partidos separatistas da Catalunha anunciaram na terça-feira um acordo para empossar Puigdemont, que quer governar à distância na Bélgica, onde está em auto-exílio, apesar da oposição do governo espanhol.

A coalizão Juntos pela Catalunha (JxCat) e a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) concordaram em dar apoio à proposta de Puigdemont de se candidatar à presidência, mas não não informaram se o acordo implicaria aceitar uma posse à distância.

Puigdemont foi suspenso do cargo no fim de outubro pelo governo do primeiro-ministro, Mariano Rajoy. Desde então, o líder separatista vive na Bélgica e quer ser empossado sem voltar à Espanha.

O governo espanhol anunciou na Justiça uma posse telemática, considerada pelos serviços jurídicos do Parlamento catalão ilegal.

Nas eleições regionais de 21 de dezembro, os partidos separatistas obtiveram a maioria absoluta parlamentar, com 70 assentos do total de 135, a maioria deles distribuídos entre o Juntos pela Catalunha (34) e a ERC (32).

O novo presidente do Parlamento catalão, o separatista Roger Torrent, iniciou na quinta-feira reuniões com os partidos para designar um candidato à liderança regional, com Puigdemont como nome principal.

Dois meses e meio depois da fracassada declaração de secessão, os separatistas recuperaram na quarta-feira o controle do Parlamento catalão, dissolvido no dia 27 de outubro por Rajoy. Seu próximo passo é recuperar o governo - destituído também por Madri -, fortalecido pela maioria absoluta, embora oito deputados estejam presos ou exilados voluntariamente na Bélgica. / AFP

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