Líder direitista pede antecipação das eleições em Israel

Um dia depois de o primeiro-ministro Ehud Olmert ter anunciado sua aposentadoria política, o líder direitista Benjamin Netanyahu defendeu hoje que Israel deveria livrar-se da atual coalizão de governo e realizar eleições antecipadas. Pesquisas mostram que o Partido Likud, de Netanyahu - um ex-primeiro-ministro contrário a concessões territoriais aos árabes -, seria o provável vencedor se novas eleições fossem realizadas hoje.Olmert anunciou ontem que deixará o cargo de primeiro-ministro em setembro, quando seu partido, o Kadima, realizará eleições internas. O chefe de governo decidiu abandonar o cargo em meio a uma série de denúncias de corrupção apresentadas contra ele."Este é um governo que chegou ao fim de seu caminho", declarou hoje Netanyahu à Rádio Israel. "Não faz a menor diferença quem figura como líder do Kadima. Todos fazem parte da série de erros cometidos por este governo, o governo do Kadima, e a responsabilidade nacional nos obriga a recorrer ao povo e realizar novas eleições", defendeu."A coisa certa a se fazer quando um primeiro-ministro se vai é deixar o povo escolher quem liderará o governo e, quem quer que seja o escolhido, será a pessoa que terá que formar um novo governo", prosseguiu Netanyahu.O sistema político israelense permite que o substituto de Olmert à frente do Kadima conclua o mandato dele como primeiro-ministro, que expira formalmente em novembro de 2010. Mas existe a possibilidade de que o futuro líder do Kadima não consiga formar uma coalizão de governo, em parte por causa da ampla diversidade de matizes políticas e ideológicas, a maioria delas conflitante, representadas no Parlamento do país. Caso isso aconteça, as eleições serão antecipadas, provavelmente para o início do próximo ano.Os dois principais candidatos à liderança do Kadima são a chanceler Tzipi Livin, uma centrista que tem amplo apoio popular e que lidera as negociações com os palestinos, e Shaul Mofaz, um ex-ministro da Defesa e ex-comandante das Forças Armadas que liderou a repressão a um levante palestino iniciado oito anos atrás. Livni está em Washington e ainda não se pronunciou sobre a renúncia de Olmert. Entrevistado pela Rádio Israel, Mofaz declarou-se hoje contra a antecipação das eleições.

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