Líder do Aurora Dourada depõe em tribunal grego

O líder do partido de extrema direita na Grécia, o Aurora Dourada, foi levado nesta quarta-feira para ser ouvido em um tribunal no centro de Atenas. O depoimento de Nikos Michalolialos, que chegou algemado ao tribunal e foi recebido por mais de 100 apoiadores com bandeiras e aos gritos de "Sangue, honra, Aurora Dourada", deve durar horas.

AE, Agência Estado

02 de outubro de 2013 | 17h05

Michalolialos está sendo acusado de dirigir uma organização criminosa que seria responsável pela morte do cantor de hip-hop e ativista Pavlos Fyssas, assassinado em 17 de setembro.

No começo do dia, os juízes ordenaram a libertação de três parlamentares do Aurora Dourada que haviam sido presos no último final de semana em uma maratona para resolver o caso. O quarto parlamentar, Yiannis Lagos, permanece preso à espera de julgamento. Todos negaram as acusações contra eles.

No começo desta semana, o primeiro-ministro da Grécia, Antonis Samaras, prometeu fazer "o que for preciso" para erradicar o Aurora Dourada. O governo de Samaras insistiu em manter a acusação de que o partido é de inspiração nazista e que as investigações serão mantidas apesar das libertações. "As acusações permanecem, a investigação está em andamento e evidências estão sendo coletadas", informou o ministro do Interior, Yiannis Michelakis, em entrevista à TV Skai. "Estamos no primeiro estágio desta investigação."

O Aurora Dourada, descrito pelo governo como neonazista, alcançou popularidade meteórica durante a crise financeira na Grécia. O partido é acusado de promover uma série de ataques violentos no país, a maioria contra imigrantes. Acusações que os líderes do partido negam.

Líderes do Aurora Dourada foram presos no final de semana acusados pela morte de Fyssas. No domingo passado, vice-líder e um dos parlamentares do partido, Christos Pappas, assumiu a responsabilidade pelo crime.

A polícia informou que durante a busca nas residências dos políticos e no escritório do partido resultou na apreensão de 23.200 euros, armas, mais de uma dúzia de telefones celulares e numerosas cópias de passaportes, permissões de residência e formulários para emissão de cartão de identidade pelo Estado.

Grupos de direitos humanos já fizeram várias advertências para o aumento da violência e ataques atribuídos a membros ou apoiadores do Aurora Dourada. Dois homens presos em janeiro acusados pela agressão de um imigrante paquistanês, são suspeitos de fazerem parte do partido de extrema direita. Entretanto, a morte de Fyssas foi o crime mais sério atribuído diretamente a um membro do partido.

O primeiro-ministro grego condenou o Aurora Dourada como grupo neonazista e prometeu tolerância zero para o partido. Segundo Samaras, "não existe espaço para neonazistas em qualquer parte do mundo democrático". Fonte: Associated Press.

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