Líder do braço político da ETA é condenado em meio a cessar-fogo

A Justiça da Espanha condenou nesta quinta-feira o líder do ilegal Batasuna - braço político do grupo terrorista basco ETA - Arnaldo Otegi, a 15 meses de prisão por ter feito apologia ao terrorismo em 2003, mas ele não será preso por enquanto. A Audiência Nacional, que julga crimes de terrorismo na Espanha, anunciou a sentença contra Otegi - antigo membro da ETA considerado fundamental no processo que inicia após o cessar-fogo - por ter participado de uma homenagem ao dirigente da ETA morto em 1978 José Miguel Beñarain, conhecido como "Argala". O promotor Jesús Santos anunciou que não pedirá a prisão do líder do Batasuna, já que a sentença pode ser revista e a condenação é inferior a dois anos de reclusão. O governante Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) considera que a pena não afetará o processo, porque as "bases do abandono da violência são firmes", disse hoje o dirigente Ramón Jaúregui. Otegi já foi preso pouco depois da entrada em vigor do cessar-fogo permanente, em 24 de março, por causa de incidentes ocorridos durante uma greve ilegal convocada no País Basco e em Navarra. Dez dias depois, o líder do Batasuna saiu da prisão, após depositar uma fiança de US$ 300 mil. Otegi está em liberdade provisória e deve enfrentar outros quatro processos em tramitação por apologia ao terrorismo e suposto financiamento da ETA. Os nacionalistas radicais bascos entendem que decisões como a de quinta-feira podem prejudicar o processo de negociação após o cessar-fogo da ETA. A condenação desta quinta-feira se soma à de um ano de prisão imposta pela Corte Suprema em 4 de novembro de 2005 por injúrias graves ao rei da Espanha. Otegi o chamou de "chefe dos torturadores" em fevereiro de 2003. Dessa vez, os juízes acataram a denúncia de que o líder radical teve "participação muito ativa" na homenagem pelos 25 anos da morte do líder histórico da ETA "Argala", a quem se atribui a morte do ex-presidente do Governo, almirante Luis Carrero Blanco, em 1973. O líder do Batasuna, de 48 anos, já passou pela prisão no final da década de 80. Ele foi condenado a seis anos - dos quais só cumpriu três - por ter participado do seqüestro do empresário Luis Abaitua. Entre 1995 e 2005, foi deputado autônomo e, em 1998, foi escolhido porta-voz (líder) do braço político da ETA quando os membros da direção anterior foram presos. O Batasuna foi declarado ilegal pelo juiz Baltasar Garzón em 26 de agosto do 2002. Na época, o conservador Partido Popular, então no Governo, e o PSOE aprovaram uma Lei de Partidos. O grupo foi incluído pelos EUA e pela UE em suas listas de organizações terroristas. A condenação de Otegi coincidiu hoje com divulgação da última pesquisa de opinião do Centro de Investigações Sociológicas (CIS). O estudo revela que, após a declaração do cessar-fogo pela ETA, o terrorismo passou a ser a terceira preocupação para os espanhóis (29,5% dos consultado), depois do desemprego (em primeiro lugar, com 55,6%) e da imigração (com 34,5%). A pesquisa foi realizada entre 24 e 31 de março.

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