Líder do Fatah pede apoio político contra EUA e Israel

A maior autoridade palestina no Líbano e líder do Fatah, o sultão Abul Aynein, elogiou o papel de países europeus durante o conflito entre Israel e o Hezbollah, mas pediu maior apoio político para seu grupo.Abul Aynein, entrevistado pela Efe no campo de refugiados de Rashidiye, no sul do Líbano, é a principal autoridade dos mais de 400 mil refugiados palestinos, mais de 10% da população do país. Ele tem vivido na clandestinidade nos últimos 15 anos, fugindo de israelenses e libaneses.Chegar ao refúgio de Abul Aynein, através das intrincadas e pobres vielas de Rashidiye, é uma tarefa complicada. Após passar o posto de controle do Exército libanês na entrada do campo, vários milicianos do Fatah acompanham o jornalista por todos os lados, com suas metralhadoras em riste.Já no quartel-general e após vários controles e revistas por parte de vários guarda-costas armados, chega-se ao escritório de Abul Aynein. É uma ilha de comodidade em meio à miséria do campo, equipada com moderna tecnologia de comunicações.O sultão, vestido impecavelmente com um terno cinza e gravata azul-marinho que não destoariam em Wall Street, fala diante de sua mesa, cheia de fotos de Yasser Arafat. Depois de elogiar o papel de Espanha e França na crise, ele acrescenta que os países europeus "podem fazer muito mais" no Oriente Médio e especialmente no conflito entre palestinos e israelenses."Precisamos de ajuda material, mas também de apoio político contra os Estados Unidos e Israel. Se a Europa não nos apoiar os israelenses continuarão fazendo o que querem, ignorando todas as resoluções da ONU e convenções de guerra internacionais. Assim, o problema não terá solução", acusa.Abul Aynein mantém contato permanente com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas. Durante a guerra recebeu também vários telefonemas do primeiro-ministro palestino, Ismail Haniyeh. Hoje, ele acredita firmemente no acordo entre as diferentes facções palestinas."Precisamos entrar num acordo para atuar com uma só voz", ressalta. O líder considera "impossível" a devolução do soldado israelense seqüestrado em Gaza em julho passado "sem que Israel pague um preço", que passa pela libertação dos presos palestinos.Abul Aynein tinha sido julgado à revelia e condenado à pena de morte em 1999 por um tribunal militar libanês. Ele foi considerado culpado de "liderar grupo armado e atacar propriedades públicas". Outra acusação foi a de atacar o Exército israelense em resposta ao massacre dos campos de refugiados palestinos de Sabra e Shatila, em setembro de 1982.Após passar anos escondido e fortemente escoltado nos campos de refugiados, no dia 30 de março ele se entregou à justiça libanesa. Acabou sendo absolvido de todas as acusações."Ninguém poderá tirar nossas armas enquanto as resoluções internacionais não forem cumpridas", afirma. Para ele, a guerra entre Hezbollah e Israel não vai piorar as relações entre os refugiados palestinos e os libaneses, nem aumentar a tensão na sociedade civil."Não há problema algum entre palestinos e libaneses", garante, embora reconhecendo que o conflito "não foi uma vitória" e agravou consideravelmente a situação dos refugiados.No campo de Rashidiye, onde vivem cerca de 25 mil pessoas que só têm permissão para trabalhar na agricultura e em alguns setores de serviços, a guerra deteriorou muito a já complicada situação criada após a vitória eleitoral do Hamas.A redução da ajuda financeira internacional à ANP causou seu impacto sobre Rashidiye. Além disso, seus barracões sofreram com os bombardeios da aviação israelense durante o conflito.Ainda assim, seu líder no Líbano, braço direito de Arafat até a sua morte, acredita que o verão sangrento deixou um exemplo para todo o mundo árabe. "Mostramos que os árabes podem ganhar uma guerra contra os israelenses", avaliou.

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