REUTERS/Fabrizio Bensch
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Líder do G-20, Merkel prepara plano de prevenção contra Trump

Posse de novo presidente dos EUA leva governos europeus a ampliar consultas diplomáticas

Jamil Chade, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S. Paulo

21 Janeiro 2017 | 05h00

GENEBRA - A posse de Donald Trump levou os governos europeus a ampliar as consultas diplomáticas para tentar coordenar esforços para resistir à pressão que o novo presidente americano fará para modificar a agenda internacional e, principalmente, os interesses da Europa.

Nesta semana, coube à chanceler alemã, Angela Merkel, que preside em 2017 as reuniões do G-20, consolidar esse plano em uma agenda, na esperança de forçar o novo governo americano a lidar com uma visão de mundo contrária às promessas de campanha. Para conter um discurso protecionista, a alemã colocou como uma de suas prioridades no comando do G-20 a aplicação do Acordo Climático de Paris – e a descarbonização da economia –, além de uma cooperação internacional sobre migrações, livre-comércio e finanças. 

O slogan usado pela campanha de Merkel não poderia ser mais revelador: “Moldando um mundo interconectado”, num gesto interpretado por diplomatas como um recado tanto para Trump quanto para os partidos populistas de que não haverá solução às crises mundiais sem um diálogo entre as potências. Merkel também enviou uma dura mensagem à onda de populismo fortalecida com a vitória de Trump. “Esses desafios não conseguirão ser superados por países pensando em adotar uma linha independente ou isolacionismo.” 

Uma das propostas de Merkel, por exemplo, é garantir que o bloco das maiores economias do mundo continue comprometido com o livre-comércio, alvo de críticas por parte de Trump. Nos últimos anos, os líderes do G-20 assinaram declarações em que prometiam não recorrer ao protecionismo, congelar tarifas e mesmo eliminar barreiras. Diplomatas confirmaram ao Estado que muitas das promessas não foram cumpridas. 

Documentos obtidos pelo Estado revelam como Merkel quer transformar o debate sobre a globalização, vendida por Trump como a responsável pelo desemprego: “Contra um cenário de ceticismo sobre comércio e abertura de mercados, precisamos fazer um esforço para garantir que reais vantagens da integração cheguem a um maior número de pessoas”.

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