Líder do Hamas diz que não cederá território a Israel

O líder do Hamas, Khaled Meshal, rejeitou neste sábado ceder sequer "uma polegada" do território palestino a Israel ou reconhecer o Estado judeu. As declarações foram feitas durante um discurso em Gaza, parte das comemorações do 25º aniversário de fundação do grupo islamita.

AE, Agência Estado

08 de dezembro de 2012 | 16h09

"A Palestina é nossa terra e nossa nação compreende o território que vai do Mar Mediterrâneo até o rio Jordão, de norte a sul, e nós não podemos ceder uma polegada ou qualquer parte dele", disse Meshal a respeito do território ocupado por Israel e pela Autoridade Nacional Palestina (ANP).

"A resistência é a forma correta de recuperar nossos direitos, assim como todas as formas de luta - política, diplomática, legal e popular - mas todas são sem sentido sem a resistência", disse ele durante sua histórica visita a Gaza.

Ao falar sobre a unidade palestina, ele afirmou que "somos uma única autoridade, uma única referência e nossa referência é a Organização pela Libertação da Palestina (OLP), que queremos unida".

A OLP é, aos olhos da comunidade internacional, o único organismo que pode falar por todo o povo palestino. O Hamas não pertence à OLP, cujo principal dirigente é o presidente palestino Mahmoud Abbas, mas um ano atrás Meshal disse que seu grupo e outras facções estavam "no caminho para se integrar" à organização.

Suas declarações podem ser vistas como a mais recente tentativa do Hamas se unir à OLP e consolidar as fileiras palestinas. Em 2006, o Hamas venceu a eleição geral por maioria dos votos, derrotando o Fatah, partido de Abbas.

Cerca de 18 meses mais tarde, o Hamas depôs as forças do Fatah em Gaza após várias semanas de confrontos de rua e o grupo islamita passou a governar o território. Como resultado, atualmente Abbas comanda apenas a Cisjordânia, ocupada por Israel.

Meshal cruzou a fronteira do Egito com Gaza na sexta-feira, em sua primeira visita aos territórios palestinos desde 1975, na companhia de seu vice, Mussa Abu Marzuk.

Ele discursou durante um evento que, segundo os organizadores, reuniu mais de 100 mil partidários no complexo Al-Qitaba, a oeste da Cidade de Gaza, local que foi transformado num mar de bandeiras verdes do Hamas.

As celebrações ocorrem pouco mais de duas semanas depois de uma trégua, negociada pelo Egito, ter interrompido oito dias de sangrentos confrontos com Israel, que deixaram 174 palestinos mortos. As informações são da Dow Jones.

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