Líder do Hamas faz visita histórica ao presidente do Egito

O líder do grupo islâmico Hamas, Ismail Haniyeh, se reuniu nesta quinta-feira no Cairo com o presidente do Egito, Mohamed Mursi, numa visita que ilustra uma grande mudança de posição do país desde a eleição de um chefe de Estado ligado à Irmandade Muçulmana.

TOM PERRY E NIDAL AL-MUGHRABI, Reuters

26 de julho de 2012 | 19h43

Um funcionário palestino disse que o chefe da inteligência egípcia prometeu medidas para aumentar o envio de combustível que é entregue pelo Catar à Faixa de Gaza passando pelo território egípcio, e que é necessário para aliviar a aguda escassez energética no pequeno território litorâneo palestino.

Mas não houve nenhum sinal imediato de que o Egito aceitaria abrir sua fronteira com Gaza da forma solicitada pelo Hamas, algo que analistas atribuem em parte à influência ainda exercida por remanescentes da era Mubarak nos serviços de segurança egípcios.

Hosni Mubarak, aliado de Israel e dos Estados Unidos, foi deposto no ano passado por causa de uma rebelião popular. Os generais que o substituíram já transferiram o poder aos civis, mas continuam tendo considerável influência.

"O coração de Mursi está com o Hamas, mas sua cabeça está em outro lugar", disse o comentarista político palestino Hany al-Masri. "Ele lhes dará o máximo que puder, mas não vai poder lhes dar muito, porque seus poderes são restritos."

A vitória de Mursi na eleição presidencial egípcia foi saudada em Gaza como um divisor de águas para um território cuja economia está sufocada pelo bloqueio imposto por Israel, do qual o Egito participa ao praticamente vedar sua fronteira com o território, permitindo apenas a passagem de um número limitado de pessoas.

Mas, como chefe de Estado, Mursi precisa equilibrar seu apoio a Gaza com a necessidade de respeitar os compromissos internacionais do Egito, inclusive seu tratado de paz com Israel.

(Reportagem adicional de Marwa Awad)

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