Líder do Hamas no exílio visita Faixa de Gaza pela primeira vez

Khaled Meshal foi recebido por multidão e beijou o chão após cruzar a fronteira entre Egito e o território palestino

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2012 | 02h05

O líder no exílio do Hamas, Khaled Meshal, que sobreviveu a uma tentativa de assassinato por Israel em 1997, fez ontem uma visita triunfal à Faixa de Gaza - a primeira desde 1967 ao território governado por sua facção. Meshal, que vive no Catar, beijou o chão após cruzar a fronteira entre Egito e Gaza.

"Este é um dia histórico na minha vida", disse. "Deus me conceda o martírio na terra da Palestina." Visivelmente emocionado, enxugou as lágrimas enquanto se sentava com Ismail Haniyeh, o premiê do Hamas, numa breve recepção de boas-vindas.

Numa declaração à imprensa, Meshal disse que considerava sua chegada a Gaza um "terceiro nascimento", depois de seu nascimento real, em 1956, e do dia em que sobreviveu à tentativa de assassinato por agentes israelenses na Jordânia, 15 anos atrás.

"Rezo a Deus para que meu quarto nascimento seja no dia em que a Palestina for libertada", disse Meshal, enumerando uma lista de áreas ocupadas por Israel após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e depois as cidades que vêm sendo parte do moderno Estado de Israel desde sua fundação, em 1948. "Gaza hoje. Depois, Ramallah, Jerusalém, Haifa e Jaffa, se Deus quiser", disse.

Meshal passou a vida se deslocando de um país para outro. Logo depois de fugir da Cisjordânia, em 1967, ele foi para a Jordânia, de onde fugiu para o Kuwait. Ele voltou à Jordânia após a Guerra do Golfo, em 1991.

Em 1999, quando a Jordânia colocou o Hamas na ilegalidade, ele e outros líderes foram expulsos. Meshal viveu no Catar até 2001, quando se mudou para Damasco, na Síria. Ele viveu no país até dez meses atrás, quando voltou ao Catar em razão da guerra civil, quando o Hamas se distanciou do regime de Bashar Assad.

Entre as autoridades que receberam ontem o líder do Hamas, havia integrantes de vários grupos palestinos, incluindo a Fatah, facção que controla a Autoridade Palestina e travou uma breve guerra contra o grupo islâmico de Meshal, em 2007. A Fatah acabou expulsa de Gaza, que passou a ser governada pelo Hamas, grupo considerado "terrorista" nos EUA e na Europa.

Ontem, Meshal visitou a casa do fundador do Hamas, xeque Ahmad Yassin - assassinado por Israel -, onde foi recebido por uma multidão. Ele esteve ainda na casa de Ahmed Jabari, chefe do braço armado do Hamas morto em novembro pelos israelenses.

Hoje, Meshal discursa em um comício para marcar o 25.º aniversário da fundação do Hamas e a "vitória" na luta do mês passado contra Israel, durante a qual foguetes caíram perto de Tel-Aviv e Jerusalém. Sami Abu Zuhri, porta-voz do grupo, disse que a visita era uma conquista da luta de novembro, "fruto da vitória da resistência sobre a ocupação". / WP

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