Líder do Hamas promete nunca reconhecer Israel

Khaled Meshal faz discurso para milhares de palestinos em uma praça da Cidade de Gaza e rejeita ceder território aos israelenses

CIDADE DE GAZA, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2012 | 02h01

O líder do Hamas, Khaled Meshal, em sua primeira visita à Faixa de Gaza, prometeu ontem nunca reconhecer Israel e disse que seu grupo jamais abandonaria a reivindicação de ocupar Israel, Gaza e Cisjordânia. "A Palestina é nossa do rio para o mar e do sul para o norte. Não haverá concessão de uma polegada de terra", disse Meshal em um gigantesco comício.

"Nunca reconheceremos a legitimidade da ocupação israelense e, portanto, não há legitimidade para Israel, não importa quanto tempo demore", afirmou o líder do Hamas. Em seu discurso intransigente, Meshal também prometeu libertar prisioneiros palestinos detidos em Israel, indicando que militantes islâmicos tentariam sequestrar soldados israelenses para usá-los como moeda de troca.

Israel libertou 1.027 palestinos no ano passado, em troca da libertação de Gilad Shalit, um soldado israelense que foi capturado por guerrilheiros palestinos em 2006 e escondido por mais de cinco anos em Gaza. Milhares de palestinos, no entanto, permanecem em Israel, que os considera "terroristas", enquanto o Hamas os chama de "combatentes da liberdade".

"Nós não vamos descansar até libertarmos os prisioneiros. A maneira que libertamos alguns no passado é o caminho que usaremos para libertar os prisioneiros restantes", disse Meshal diante de milhares de palestinos que se reuniram na Praça Katiba, na Cidade de Gaza, para participar da celebração do 25.º aniversário da criação do Hamas, que controla o território palestino desde 2007.

União nacional. Em seu discurso, o líder defendeu também a unidade das distintas facções palestinas para lutar contra a ocupação israelense e estendeu a mão a seu rival, a Fatah, liderada pelo presidente Mahmoud Abbas, que governa a Cisjordânia. "É hora de virar a página da divisão e abrir uma nova página de unidade palestina. Convidamos Abbas e a Autoridade Palestina para acabar de com essa divisão."

O líder do Hamas anunciou que, em breve, chegará uma proposta do Egito para articular essa reconciliação e elogiou o avanço diplomático alcançado recentemente por Abbas nas Nações Unidas, que elevou status palestino para o de estado observador não membro da ONU. "Esse é um passo pequeno, mas muito importante, no caminho da defesa dos direitos do povo palestino", afirmou.

Futuro político. Meshal disse repetidas vezes que quer deixar o cargo de líder do Hamas. No discurso de uma hora realizado ontem, no entanto, ele não fez menção a seu futuro, mas a multidão de partidários, levantando a bandeira verde do Hamas, estava confiante de que ele deveria continuar a guiar o grupo no momento em que sua popularidade cresce. "Meshal é o líder natural do Hamas. Isto precisa continuar como está se a Palestina quiser ser liberada", afirmou Salah Suheil, de 44 anos, que acompanhou o comício.

O Hamas, que recentemente disputou um conflito de oito dias com Israel, tem realizado uma eleição secreta há meses para determinar quem deve liderar o grupo. A expectativa era a de que o resultado fosse divulgado durante a visita de Meshal, o que ainda não ocorreu. "O Hamas não concluiu sua eleição interna e não há nada de novo a esse respeito", disse ontem um alto funcionário do grupo à agência de notícias Reuters.

A cúpula da facção islâmica é dividida, com uma parte da liderança vivendo na Faixa de Gaza e outra no exílio. Meshal, que comanda o Hamas desde 1996, deixou a região em 1967. Ele morava até o ano passado na Síria, mas, em meio à guerra civil, distanciou-se do regime de Bashar Assad e agora vive entre o Egito e o Catar.

Sob o comando de Meshal, o Hamas conduziu uma sangrenta campanha de atentados suicidas em cafés, restaurantes e clubes noturnos que deixou centenas de israelenses mortos nos anos 90. Em 1997, por ordem do premiê Binyamin Netanyahu, espiões israelenses tentaram, sem sucesso, assassiná-lo, na Jordânia. / REUTERS, AP, AFP e NYT

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