Líder do Hezbollah apóia terceira intifada

Xeque xiita libanês eleva o tom; protestos de rua em vários países contrastam com timidez diplomática

NYT, Reuters e AP, Beirute, O Estadao de S.Paulo

30 de dezembro de 2008 | 00h00

O xeque Hassan Nasrallah, líder do grupo xiita libanês Hezbollah, afirmou ontem que apóia o Hamas e os palestinos em uma terceira intifada (revolta) contra Israel. "Somo minha voz à dos palestinos que pedem uma terceira intifada", disse o líder xiita em discurso divulgado em um telão para milhares de pessoas que se reuniram em uma praça, na periferia de Beirute, em apoio aos palestinos em Gaza.Nasrallah - que na véspera havia colocado os militantes do Hezbollah em "estado de alerta", embora tivesse descartado pegar em armas para apoiar o Hamas - disse que Israel pode querer travar uma guerra em duas frentes e atacar o sul do Líbano, como fez em 2006. O xeque criticou duramente o Egito. "Se eles não abrirem a fronteira, serão cúmplices nesses assassinatos."O aiatolá Ali Khamenei, do Irã, também criticou o "silêncio" de alguns países árabes. "Pior do que essa catástrofe é o silêncio encorajador de alguns países árabes que se dizem muçulmanos", disse o aiatolá, em referência ao Egito e à Jordânia, criticados pela falta de solidariedade com os palestinos.A visita de Tzipi Livni, chanceler de Israel, ao Cairo, na semana passada, aumentou a impressão de que o Egito não impôs obstáculos aos ataques. Analistas dizem que o governo egípcio está ansioso para se ver livre do Hamas em Gaza por causa da ligação do grupo com a Irmandade Muçulmana, organização de base religiosa e principal partido de oposição do país.Se os regimes moderados estão preocupados com movimentos extremistas, a população dos países árabes tem se mostrado unida. Ontem, foram registrados protestos em quase todas as capitais, de Damasco a Bagdá. Houve manifestações contra Israel também em Roma, Paris, Lyon, Berlim e Londres.Os ministros das Relações Exteriores da União Européia (UE) convocaram para hoje em Paris uma reunião de emergência para discutir os ataques em Gaza. A iniciativa da França, que exerce a presidência do bloco, foi considerada uma ação tímida. Até agora, o silêncio diplomático de EUA e Grã-Bretanha tem sido encarado como um cheque em branco para a ação de Israel. ALISTAMENTOUm grupo de clérigos iranianos começou ontem um programa de alistamento de combatentes para lutar em Gaza. Os voluntários podem se alistar pela internet. Segundo a agência de notícias iraniana Fars, cerca de 7 mil pessoas já se ofereceram para lutar contra Israel. A Frente dos Defensores Islâmicos, da Indonésia, também anunciou ontem que está recrutando militantes e oferecendo uma passagem só de ida para a região.

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