Líder do Hezbollah rebate acusações e critica Bush e os EUA

Durante pronunciamento feito nesta terça-feira ante milhares de libaneses xiitas reunidos em um bairro do sul de Beirute para o dia mais importante da Ashura, um festival religioso islâmico, Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah, acusou George W. Bush de provocar o caos no Líbano. Nesta segunda-feira, Bush acusou o grupo guerrilheiro e seus dois países aliados, Síria e Irã, de alimentarem a violência no território libanês com o intuito de assumir o controle do governo. O presidente dos EUA disse que "os responsáveis por criar o caos precisam ser responsabilizados". Rebatendo as afirmações do presidente americano, Nasrallah afirmou que os EUA induziu Israel a entrar em guerra contra o Hezbollah ano passado. "Quem está fomentando o caos no Líbano, quem destruiu o Líbano, quem matou mulheres e crianças, jovens e velhos no Líbano, foram George Bush e Condoleezza Rice (secretária de Estado dos EUA). Eles mandaram os sionistas iniciarem a guerra no Líbano", afirmou Nasrallah, em um discurso inflamado. O conflito, ocorrido em julho e agosto, matou quase 1.200 pessoas no território libanês, a maior parte delas civis. Do lado israelense, dos 157 que morreram, quase todos eram militares."Quem precisa ser punido, quem precisa ser julgado é aquele que ordenou o início da guerra contra o Líbano. George Bush deseja punir vocês porque vocês resistiram. Ele quer punir vocês porque vocês venceram", afirmou Nasrallah à multidão reunida para o Ashura. "George Bush sabe que somos uma nação que não sucumbe e que não pode ser humilhada. E nós vamos repetir isso para que ele ouça - e para que o mundo todo ouça também." Conflitos travados em Beirute, na semana passada, entre simpatizantes do governo libanês e opositores dele deixaram sete mortos e reavivaram a memória sobre a guerra civil ocorrida no Líbano entre 1975 e 1990. Festival de AshuraTraduzido literalmente, Ashura significa décimo. No consenso geral, o dia de Ashura seria o décimo dia do Muharram (primeiro mês do calendário islâmico).O festival lembra a morte do Imã Hussein, neto de Maomé. É o aniversário da batalha de Karbala, onde o neto do profeta se tornou mártir ao sucumbir diante do exército de Yazid I, califa Umayyad.Na tradição sunita, este é o dia que Moisés absteve-se de comer para celebrar sua gratidão a Deus pela libertação dos israelitas do Egito.Vítimas de atentadosO número de baixas muçulmanas durante as celebrações é de ao menos 39, mas o número de mortos pode se estender a 49.Mortas em atentados executados por homens-bomba, os maiores ataques a fiéis xiitas que celebravam a Ashura ocorreram no Irã, onde morreram pelo menos 13 pessoas, e no Iraque, onde 19 ocorrências fatais já foram constatadas apenas em Bagdá.A maior celebração, que acontece em Karbala, não registra incidentes.

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