Líder do Hezbollah se declara em "guerra aberta" com Israel

Em um comunicado transmitido nesta sexta-feira por uma rede de TV libanesa, o líder do Hezbollah, xeque Hassan Nasrallah, disse que seu grupo está preparado para uma "guerra aberta" contra Israel, e prometeu ampliar o lançamento de foguetes contra o território hebreu. A declaração de Nasrallah foi ao ar menos de uma hora depois de um bombardeio israelense contra sua residência e escritório.No momento em que o xeque fazia sua aparição, um avião não tripulado comandado pelos guerrilheiros bombardeou um navio de guerra israelense estacionado na costa do Líbano. "A surpresa que eu prometi a vocês começará agora. Olhem o navio israelense em frente a Beirute queimar", provocou Nasrallah no comunicado. O ataque com o avião não tripulado indica que o Hezbollah ampliou seu arsenal bélico, conhecido anteriormente apenas por seus foguetes e morteiros.Contradizendo uma informação dada mais cedo, o exército israelense informou que o navio foi severamente danificado pelo míssil. Não há detalhes sobre o estado da tripulação, mas de acordo com uma reportagem da TV catariana Al-Jazira, quatro marinheiros do barco estavam sendo procurados pela Marinha israelense. Menos de uma hora antes do ataque ao navio, aviões e navios de guerra israelenses bombardearam o populoso bairro xiita próximo ao quartel general de Nasrallah, danificando edifícios e ruas e matando ao menos três pessoas. "Mesmo que eles nos matem todos, nós não entregaremos os prisioneiros", disse um morador do bairro referindo-se aos dois soldados israelenses capturados por militantes do Hezbollah na quarta-feira. "Não temos nada a perder exceto nossa dignidade. Nos sacrificaremos pelo xeque Nasrallah."Ainda nesta sexta-feira, mísseis foram disparados contra estradas nos subúrbios da capital libanesa, derrubando uma ponte e danificando outra.AmeaçasCom um tom desafiador, Nasrallah dirigiu-se aos israelenses dizendo: "vocês quiseram uma guerra aberta e nós estamos preparados para uma guerra aberta". A mensagem foi transmitida pela rede de televisão Al-Manar, pertencente ao Hezbollah.Ele repetiu a ameaça de atacar a cidade costeira israelense de Haifa e outras cidades mais ao sul. "Atingiremos Haifa e, acreditem em mim, iremos além de Haifa", ameaçou. "Nossas casas não serão as únicas que serão destruídas, nossas crianças não serão as únicas que morrerão", acrescentou Nasrallah.De fato, o Hezbollah intensificou suas investidas contra o território israelenses, disparando uma chuva de dezenas de foguetes contra cidades no norte do país. Em Meron, uma das cidades atingidas, uma mulher e sua neta morreram um dos projeteis atingiu a casa em que estavam.As ameaças do xeque de alcançar cidades distantes da fronteira do Líbano foram respaldadas involuntariamente pelo chefe do Estado Maior israelense, General Dan Halutz, que disse nesta sexta-feira que o Hezbollah possui foguetes que podem alcançar alvos a mais de 70 quilômetros de distância do ponto de lançamento. Se a informação for verdadeira, algumas das maiores cidades israelenses entram no raio de alcance dos militantes libaneses.Em três dias, o conflito já deixou 73 libaneses e 12 israelenses mortos, além de ter provocado uma grande alta no preço do barril de petróleo, que bateu US$ 78 dólares nesta sexta-feira. Diante dos números, a União Européia acusou Israel de uso excessivo da força e o Conselho de Segurança da ONU realizou uma sessão emergêncial para discutir a violência.Ainda assim, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, prometeu manter a campanha no Líbano até que o Hezbollah seja desarmado. O premier permitiu, no entanto, que o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, envie mediadores para negociar um cessar-fogo na região. Texto atualizado às 19h45

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