Divulgação/ AP
Divulgação/ AP

Líder do Irã diz que negociadores têm limites para concessões em Genebra

Conversas foram retomadas hoje; impasses envolvem enriquecimento de urânio e reator de plutônio

O Estado de S. Paulo,

20 de novembro de 2013 | 09h37

TEERÃ - O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, disse nesta quarta-feira, 20, em discurso para a milícia Basij - ligada à Guarda Revolucionária e à linha dura do regime - que os negociadores que discutem hoje em Genebra um acordo nuclear com as potências ocidentais têm limites para as concessões que poderão fazer. Segundo o clérigo xiita, o Irã não abrirá mão de seus direitos nucleares, uma referência ao enriquecimento de urânio em suas usinas atômicas.

Khamenei prometeu não interferir  nos detalhes das negociações, no que foi interpretado como um apoio à estratégia do presidente Hassan Rohani de barganhar com o Ocidente para amenizar as sanções econômicas impostas pela comunidade internacional, mas ressaltou que o principal objetivo do país é “estabilizar os direitos do Irã, incluindo os direitos nucleares”.

“Há limites e esses limites devem ser observados. Orientamos as autoridades  a respeitá-los e eles não devem temer a reação dos inimigos”, discursou Khamenei.

O aiatolá ainda fez críticas ao governo americano, apesar de ressaltar que o Irã busca relações amistosas com Washington e outros países. “Em vez de nos ameaçar, consertem sua devastada economia, para que o seu governo não feche por duas semanas. Paguem suas dívidas”, disse, em referência à crise fiscal que paralisou o governo americano no mês passado.

O processo de enriquecimento de urânio e o tipo de tecnologia usado em um dos reatores iranianos são os principais pontos de impasse entre os dois lados da negociação. Existem três níveis de produção de combustível nuclear: com urânio enriquecido com 4% de material radioativo, usado na produção de energia elétrica; a 20%, tecnologia destinada a pesquisas com isótopos médicos e 90%, tecnologia que pode ser aplicada na produção de bombas nucleares.

O Irã já domina o segundo estágio de enriquecimento de urânio e tecnicamente a distância para chegar ao enriquecimento de 90% é curta. EUA, Israel e países europeus temem que Teerã opte por esse caminho em breve. O país nega que seu programa nuclear tenha fins militares.  Por ser signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, o Irã acredita ter direito a enriquecer urânio para fins civis.

Outro ponto de discórdia é o reator de plutônio de Arak. Resultado colateral do enriquecimento de urânio, o plutônio pode ser usado como uma via alternativa para a produção de uma bomba. /  AP e REUTERS

Mais conteúdo sobre:
Impasse nuclearIrãAli Khamenei

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.