Líder do Irã pede à guarda religiosa que tolere protestos

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, pediu à guarda religiosa do país que não interfira no que qualificou de "distúrbios", após duas noites de protestos contra o regime teocrático. "Peço às pessoas piedosas e aos guardas do Hezbollah (milícia islâmica fundamentalista) em todo o país que não intervenham quando virem distúrbios", disse Khamenei, em um discurso divulgado pela televisão estatal. De início, a rádio estatal havia informado sobre a declaração, mas citando equivocadamente as palavras do líder, indicando que ele havia pedido à milícia religiosa que interviesse. Não houve explicação imediata pelo erro. Mais tarde, a televisão e a rádio estatais transmitiram o discurso completo. Khamenei falou perante milhares de pessoas em Varamin, uma localidade fora de Teerã. Os confrontos ocorreram perto dos dormitórios estudantis na universidade da capital iraniana. A polícia de choque e os milicianos espancaram jovens manifestantes que gritavam lemas contra Khamenei. Dezenas de guardas religiosos montados em motocicletas perseguiram cerca de 300 manifestantes na quarta-feira à noite, e os atacaram com cassetetes nas ruas dos arredores da universidade, no bairro de Amirabad, em Teerã. Várias pessoas foram retiradas do local com ferimentos na cabeça. Os manifestantes, principalmente adolescentes, repetiam "Morte a Khamenei!" e lançavam pedras contra a polícia, que as retribuía. Em uma reviravolta inusitada, os manifestantes também exigiram a renúncia do presidente Mohamad Khatami, um liberal democraticamente eleito.No Irã, as críticas contra Khamanei são castigadas com prisão. Os partidários do regime dizem que os poderes do aiatolá são ilimitados e não podem ser questionados.

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