Líder do Irã propõe eleição direta para resolver crise síria

Em discurso no fórum de Davos, Rohani critica ingerência externa na Síria e ataca ‘terroristas’ que querem derrubar o regime Assad

O Estado de S. Paulo,

23 de janeiro de 2014 | 23h32

DAVOS, SUÍÇA - O presidente do Irã, Hassan Rohani, defendeu na quinta-feira, 23, eleições diretas na Síria como o melhor caminho para encerrar os quase três anos de guerra civil no país árabe. Falando no Fórum Econômico de Davos, na Suíça, Rohani disse que nenhum país tem direito de decidir o futuro dos sírios e culpou "terroristas" pela violência.

Rohani também garantiu que o Irã "nunca quis, tampouco quer" armas nucleares. Ele defendeu um "engajamento construtivo" com as grandes potências para alcançar um acordo definitivo sobre o programa atômico de Teerã.

"O mundo deve ajudar a Síria a interromper o banho de sangue e trabalhar para se alcançar eleições livres e justas", disse o líder. A comunidade internacional, acrescentou Rohani, deve aceitar os resultados da futura eleição e é preciso "expulsar" os "terroristas" da Síria.

"É triste que estejam chegando (na Síria) terroristas", disse o presidente iraniano, que qualificou esses grupos de "assassinos impiedosos que matam inocentes". "Milhões de inocentes foram assassinados, feridos ou ficaram sem casa neste longo inverno", acrescentou Rohani.

O presidente iraniano, considerado um moderado, silenciou sobre as atrocidades atribuídas ao regime de Bashar Assad. Teerã é o principal aliado regional de Damasco, fornecendo armas - e, segundo fontes de inteligência, instrutores e combatentes - para o governo sírio enfrentar os rebeldes.

O discurso do presidente iraniano ocorreu um dia depois do início das negociações sobre a crise síria em Montreux, também na Suíça. Há um esforço para que os dois lados em conflito no país árabe fiquem frente a frente pela primeira vez (mais informações nesta página).

Rohani não comentou publicamente a polêmica envolvendo a presença iraniana em Montreux. Inicialmente, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, convidou o Irã a participar da reunião sobre o futuro da Síria. No entanto, sob forte pressão dos EUA e ameaça dos rebeldes sírios de boicotar o encontro caso Teerã estivesse presente, Ban retirou o convite. Segundo ele, os iranianos não poderiam participar da cúpula, pois não haviam endossado o plano de formar um governo de transição que substituiria Assad.

Na plateia em Davos, escutando o discurso de Rohani, havia autoridades israelenses, além da chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton. / NYT e REUTERS

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