Líder do maior partido de direita da Itália cai em escândalo de corrupção

Umberto Bossi é investigado por usar fundos do partido Liga do Norte em benefício próprio

Agência Estado,

05 de abril de 2012 | 16h26

ROMA - O líder político da Liga do Norte, partido de direita mais forte da Itália, Umberto Bossi, de 70 anos, renunciou nesta quinta-feira, 5, ao cargo de secretário-geral em meio a um escândalo de corrupção. Bossi é investigado pelas promotorias de Milão e de Nápoles. Tanto ele quanto seu filho, Renzo Bossi, teriam usado fundos do partido Liga do Norte em benefício próprio. Em Roma, a promotoria realizou buscas em uma sede da Liga do Norte e apreendeu talões de cheques no nome de Bossi.

O líder direitista, que defendeu durante anos a separação de uma parte do norte da Itália do resto do país, nega ter feito qualquer coisa errada, mas a promotoria anticorrupção da Itália agora também investiga seu filho e suposto sucessor político, Renzo, uma estrela em ascensão no partido xenófobo. O tesoureiro do partido, Francesco Belsito, também é investigado em outro caso de corrupção pela promotoria de Milão. Bossi renunciou ao cargo na sede da Liga em Milão.

Até que um novo secretário seja escolhido, a Liga do Norte será comandada por um triunvirato, que inclui Roberto Maroni, que foi ministro do Interior da Itália durante o último governo de Silvio Berlusconi, ao qual a Liga do Norte deu apoio. Um funcionário da Liga, Matteo Salvini, disse à Radio Padania que Bossi lhe afirmou que o responsável por qualquer escândalo envolvendo fundos do partido precisa "pagar" pelos erros, não importa "o sobrenome".

O apoio de Bossi a Berlusconi durou décadas e começou em 1994, quando o então magnata da televisão italiana foi eleito primeiro-ministro pela primeira vez com o apoio do partido Lega Lombarda, chefiado por Bossi e que foi o núcleo da futura Liga do Norte. Mas quando Bossi repentinamente retirou o apoio da Lega, o primeiro governo de Berlusconi caiu após alguns meses no final de 1994.

Berlusconi renunciou ao seu terceiro mandato no final de novembro de 2011, em meio a uma das piores crises financeiras e políticas da Itália em décadas, e foi substituído pelo economista Mario Monti, que aceitou a missão de tentar salvar a Itália da crise da dívida soberana do euro.

O escândalo no qual Bossi é acusado de usar os fundos do próprio partido que criou contrasta totalmente com o discurso adotado pelo político e pela Liga, que sempre acusaram de corrupção seus adversários "comunistas" ou do centro e do sul da Itália. Desde os anos 1990 a Liga acusa os políticos do sul e da "Roma ladra" de roubarem os impostos do rico e industrializado norte. Em 2004, Bossi sofreu um ataque cardíaco e desde então reduziu sua atividade política.

A polícia financeira da Itália apreendeu na quarta-feira, no cofre do tesoureiro da Liga do Norte, Francesco Belsito, documentos contábeis em um envelope intitulado The family. A hipótese, disseram promotores à agência Ansa, é que os documentos sejam relativos ao agora defenestrado líder da Liga e seu filho Renzo, que um dia antes da incursão da polícia financeira, esteve no prédio em Milão com a noiva, Silvia Baldo. O casal foi visto carregando algumas pastas ao sair. Belsito, por sua vez, já é investigado pela promotoria de Milão por ter ajudado um empresário a "se apropriar indevidamente de fundos do Estado". As informações são da Associated Press e da Ansa.

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