Líder do Parlamento assume Mali por 40 dias

O líder do Parlamento do Mali, Diocounda Traore, assumiu ontem interinamente a presidência do país africano prometendo convocar eleições e combater os rebeldes tuaregues que declararam a independência do norte malinês há uma semana - aproveitando-se do golpe militar que depôs o governo no dia 22.

BAMAKO, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2012 | 03h03

Segundo o acordo firmado entre mediadores dos países vizinhos e o capitão Amadou Sanogo, que comanda a junta golpista, Traore deverá presidir o país por 40 dias.

"Nós nunca iremos negociar a secessão do Mali", afirmou em seu discurso de posse o presidente interino, de 70 anos. "Não hesitaremos em travar uma guerra total e implacável para reconquistar nossa integridade territorial - e também para expulsar de nosso país todos esses invasores que trazem desespero e sofrimento", disse.

Os tuaregues que dominam as principais cidades de Azawad - nome dado pelos rebeldes ao norte malinês - estão divididos em uma facção secular e outra muçulmana fundamentalista, que têm ligação com a organização terrorista Al-Qaeda do Magreb Islâmico. Traore mostrou-se preocupado com relatos de violência na região. "Sou presidente de um país que ama a paz", afirmou após ser nomeado pela Suprema Corte. Traore admitiu ser líder de um país "dividido".

Nações Unidas. A comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, afirmou ontem que há relatos de que os civis do norte do Mali estão sendo mortos, roubados, violentados e forçados a fugir. Hospitais e outras instalações médicas estariam sofrendo saques, segundo Navi. "Os relatos também sugerem que tensões entre diferentes grupos étnicos também estão sendo estimulados. aumentando o risco de (irrupção de) violência sectária", disse. / REUTERS e AP

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