Ben Stansall/Pool via Reuters
Ben Stansall/Pool via Reuters

Líder do Partido do Brexit desiste de eleições e abre caminho para maioria pró-Johnson

Nigel Farage desistiu de competir por assentos no parlamento britânico com o Partido Conservador de Boris Johnson para evitar possível vitória de partidos anti-Brexit

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2019 | 17h53

LONDRES - Contradizendo a promessa que havia feito na semana passada para derrotar o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, o líder do Partido do Brexit, Nigel Farage, disse nesta segunda-feira, 11, que seu partido não vai disputar as eleições legislativas de 12 de dezembro, para não dividir o voto pró-Brexit com o Partido Conservador de Johnson.

O anúncio deve aumentar as chances dos conservadores conquistarem a maioria do Parlamento britânico, assim cumprindo o objetivo da antecipação das eleições para aprovação do Brexit.

Os conservadores conquistaram 317 cadeiras nas últimas eleições, de um total de 650. Farage disse que ele está colocando o país à frente do partido, ao formar uma “aliança de partida” com os conservadores, na tentativa de derrotar siglas que buscam desacelerar ou mesmo acabar com o processo do Brexit, incluindo o Partido Trabalhista, os Democratas Liberais e o Partido Nacionalista Escocês.

“Se colocarmos para jogo 600 candidatos, haverá um parlamento suspenso”, disse Farage, acrescentando que um resultado incerto na eleição de 12 de dezembro poderia facilmente levar a um segundo referendo do Brexit, que poderia suspender seu objetivo de tirar o Reino Unido da União Europeia.

"Nós, conservadores, precisamos somente de mais nove cadeiras para conseguir maioria e sair (da UE) no final de janeiro com um acordo", disse Johnson nesta segunda-feira no Twitter. O premiê também agradeceu o reconhecimento feito por Farage de que um parlamento paralisado não seria benéfico ao Brexit. 

"Esta decisão torna muito mais provável uma maioria conservadora", apontou Sara Hobolt, professora de Ciências Políticas na London School of Economics (LSE). 

"É uma notícia muito importante, que aumenta a possibilidade de uma maioria conservadora e, a mais longo prazo, o reajuste da política britânica", afirmou no Twitter outro especialista, Matthew Goodwin.

Esforço conjunto

Depois de três anos de negociações, o Brexit foi reagendado pela terceira vez para 31 de janeiro, após o parlamento britânico não ter aprovado o projeto proposto por Johnson.

Atualmente, das 650 cadeiras do parlamento, 298 são do Partido Conservador, que perdeu o apoio dos próprios deputados após Johnson ter aumentado o recesso parlamentar, enquanto 243 são do Partido Trabalhista. O Partido do Brexit não tem cadeiras no parlamento, já que a sigla foi criada no começo do ano. 

A afirmação desta segunda representa uma mudança substancial na estratégia de Farage, já que na semana passada ele havia ameaçado disputar as cadeiras do parlamento com os conservadores com 600 candidatos distribuídos em quase todos os setores do Reino Unido, incluindo Inglaterra, País de Gales e Escócia.

Farage clamava por uma aliança entre o Partido Conservador e o Partido do Brexit, com uma demanda de reformulação da proposta do Brexit apresentada por Johnson sem um acordo para a fronteira entre Irlanda e Irlanda do Norte, o que o primeiro-ministro recusou.

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Em resposta, o líder do opositor Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, chamou a decisão de Farage de “aliança de Trump”, defendendo que reflete um desejo de agradar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que também na semana passada defendeu uma aliança entre Johnson e Farage para encaminhar o Brexit.

“Uma semana atrás Donald Trump disse a Nigel Farage para fazer um pacto com Boris Johnson”, escreveu Corbyn em sua conta no Twitter. “Hoje, Trump conseguiu seu desejo”.

Corbyn também alegou que a “aliança de Trump” iria viabilizar que farmacêuticas americanas conseguissem um espaço no Serviço Nacional de Saúde britânico, que atualmente passa por dificuldades financeiras, um tema constante da campanha do trabalhista.

Mais cedo na campanha, Farage havia criticado duramente o acordo feito por Johnson com a União Europeia, ao manter a abertura alfandegária com a Irlanda por um período de adaptação, dizendo que não era um Brexit real. Mas, o tom mudou nesta segunda.

Farage defendeu que ele havia sido encorajado por comentários feitos por Johnson que eliminam a possibilidade de extensão do período de transição do Brexit para além de 2020. Ele afirmou que o plano agora é para “levar a briga ao Trabalhista”, cujo Farage acusou de trair 5 milhões de apoiadores que haviam sido favoráveis à saída da União Europeia no referendo de 2016.

“O Partido Conservador diz querer o Brexit, mas tem levado a questão em uma direção muito questionável. Mas, da noite para o dia, o primeiro-ministro sinalizou uma mudança de direção”, disse o líder do Partido do Brexit.

Enquanto o Partido do Brexit favorece uma saída sem acordo da UE e os Conservadores apoiam a proposta apresentada por Johnson, o Trabalhista prometeu renegociar o Brexit, além de implementar um novo referendo para os eleitores britânicos decidirem se devem manter ou não a saída do bloco. / AP e AFP

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