Alberto Pezzali / AP
Alberto Pezzali / AP

Líder do Partido do Brexit, Nigel Farage pressiona por aliança com Johnson

Premiê rejeitou anteriormente colaborar com o político eurofóbico, que propõe entrar em acordo com os conservadores para maximizar o voto favorável à saída do Reino Unido da UE

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2019 | 12h06

LONDRES - O líder do Partido do Brexit, o nacionalista Nigel Farage, pressionou nesta sexta-feira, 1, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, a formar uma aliança eleitoral e desistir do acordo de saída negociado com a União Europeia. Segundo Farage, os termos do tratado não permitem uma retirada “verdadeira” do Reino Unido do bloco.

Farage propôs formar uma aliança tática de vários partidos em favor de um Brexit sem acordo a pouco mais de cinco semanas das eleições antecipadas de 12 de dezembro. Johnson, que segue como favorito nas pesquisas, rejeitou anteriormente colaborar com Farage, que busca um acordo com o Partido Conservador para maximizar o voto favorável à saída da UE.

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Ao anunciar a proposta, Farage advertiu que, se o premiê conservador não aceitar o plano, o Partido do Brexit apresentará até 500 candidatos para as eleições – caso ele aceite, seriam apenas 150. Ainda que não consigam obter assentos no Parlamento, os nacionalistas poderão tirar votos dos conservadores, o que dificultaria uma maioria parlamentar para uma nova votação sobre o Brexit.

O político eurocético continua tentando emplacar o seu partido, criado em janeiro. Nas últimas eleições, em 2017, o Partido Conservador, então comandado por Theresa May, obteve 42,4% dos votos e elegeu 330 deputados de um Parlamento com 650 cadeiras. O número alto esconde o fato de May ter concorrido praticamente sozinha no campo conservador. 

A proposta de Farage serve como uma forma de ele atacar Johnson e tentar roubar parte de seus eleitores que são favoráveis à saída do Reino Unido da UE. Até agora, o premiê se apresenta como o grande defensor do Brexit, apesar de não ter conseguido tirar o país do bloco no prazo de 31 de outubro, como havia prometido.

Na quinta-feira, Farage ganhou o apoio do presidente americano, Donald Trump, enquanto o entrevistava ao vivo em seu programa de rádio. Trump acredita que o acordo do Brexit fechado por Johnson levará o Reino Unido a seguir alinhado com a UE, o que minaria potenciais tratados comerciais com outros países. Na ocasião, Trump fez um pedido para que o premiê se unisse a Farage, pois juntos eles “seriam uma “força impossível de parar”. “Gostaria de vê-lo junto com Boris”, disse Trump.

A afirmação foi mal recebida pela classe política britânica. Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, criticado por Trump na entrevista, escreveu no Twitter que o americano está “tentando interferir na eleição britânica para fazer com que seu amigo Boris seja eleito”.

Mesmo com a bênção de Trump, porém, é improvável que Johnson se alie a Farage, o que significaria uma arriscada inclinação à direita do Partido Conservador. Nesta sexta, em entrevista à Sky News, o primeiro-ministro negou qualquer possibilidade de aliança com o líder nacionalista ou qualquer outro partido. Ele também criticou as opiniões emitidas pelo presidente americano. 

“Não quero causar nenhum tipo de contrariedade ao presidente dos EUA. No entanto, a respeito disso, ele está muito errado. Qualquer um que olhar o nosso acordo vai ver que é um ótimo acordo.”

O plano de Farage para o Reino Unido consiste em deixar a UE sem um acordo sobre a fronteira entre Irlanda e Irlanda do Norte. No tratado renegociado por Johnson, aprovado pela UE, mas adiado pelo Parlamento britânico, ficou estabelecido que os norte-irlandeses viveriam na prática dentro do mercado comum europeu – o que é considerado inaceitável pelos nacionalistas britânicos. / EFE e W. POST

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