Líder do partido governista poderá ser acusado por corrupção

Cotado para presidência, sul-africano Jacob Zuma sofre derrota judicial e pode enfrentar novos processos

Associated Press e Efe,

12 de janeiro de 2009 | 09h31

Uma corte sul-africana abriu caminho nesta segunda-feira, 12, para novas acusações contra o líder do Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês) Jacob Zuma, cotado para ser o próximo presidente da África do Sul. A Corte Suprema de Apelações reverteu uma decisão de uma instância inferior, que arquivara uma investigação por corrupção contra Zuma. O juiz da Suprema Corte Louis Harms afirmou que a primeira decisão continha erros e ignorava os padrões legais básicos. Com a decisão, a Autoridade Nacional da Procuradoria pode apresentar novas acusações contra Zuma, que supostamente aceitou propinas de uma companhia francesa, em um grande acordo com o governo sul-africano envolvendo a venda de armas. A derrota judicial ocorre apenas dois dias após Zuma lançar um manifesto do partido relativo às eleições, previstas para março ou abril. O ANC deve conseguir maioria e afirma que Zuma será o próximo presidente, apesar das acusações por corrupção nas quais é citado há quase uma década. "O ANC reitera sua posição de que o julgamento não afetará a decisão do partido de que Zuma é o candidato presidencial do ANC para as eleições de 2009", afirmou um comunicado da sigla. Em setembro, o magistrado Chris Nicholson arquivou o caso contra Zuma, argumentando que o político deveria ter sido consultado antes de ser acusado, em dezembro de 2007. Nicholson qualificou o caso uma manobra política contra Zuma arquitetada por seu rival, o ex-presidente Thabo Mbeki. A decisão do juiz de instância inferior levou à queda de Mbeki como presidente. Para a Suprema Corte, porém, ela estava incorreta, baseada em falsos princípios e em fatos errados. Apesar desta decisão, embora seja processado por corrupção, Zuma continuará sendo o candidato à Presidência do CNA, disse em entrevista publicada na última sexta o atual chefe de Estado, Kgalema Motlanthe. Motlanthe afirmou que, "mesmo que seja processado, ele (Zuma) continuará sendo o candidato do CNA para a Presidência do país no pleito deste ano", cuja data mais provável é 15 de abril, embora ainda falte seu anúncio oficial pelo presidente.

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