AP Photo/Juan Carlos Hernandez
AP Photo/Juan Carlos Hernandez

Exército venezuelano impede rebelião contra Maduro e mata dois

Capitão e tenente comandam levante no Forte Paramacay, mas são rendidos após troca de tiros; presidente classifica ataque de ‘terrorista’ e elogia resposta das Forças Armadas

O Estado de S.Paulo

06 Agosto 2017 | 11h51
Atualizado 06 Agosto 2017 | 20h05

CARACAS - O Exército venezuelano frustrou neste domingo, 6, uma rebelião contra o presidente Nicolás Maduro no Forte Paramacay, na cidade de Valencia, no norte do país. Segundo o governo, duas pessoas morreram em confrontos dentro da base. Os chavistas classificaram a ação de “terrorista” e afirmaram que oito pessoas foram presas.

O levante começou às 5 horas (6 horas em Brasília), após a divulgação nas redes sociais e em vários meios de comunicação de um vídeo gravado na 41.ª Brigada Blindada de Valencia, no qual Juan Caguaripano, capitão da Guarda Nacional Bolivariana (GNB), declara uma “rebelião” contra o governo. 

“Nós nos declaramos em rebelião legítima, denunciamos a tirania assassina de Nicolás Maduro. Esclarecemos que isto não é um golpe, esta é uma ação cívica e militar para restaurar a ordem constitucional”, afirma Caguaripano. 

Imediatamente, o forte foi cercado por tanques e helicópteros. Em seguida, homens armados entraram na base e houve troca de tiros. “Os invasores foram repelidos imediatamente”, disse o general Remigio Ceballos.

Caguaripano era procurado desde 2014 por rebelião militar e “traição à pátria”. Ele estaria foragido nos EUA. No vídeo divulgado neste domingo, ele aparece ao lado de outros 15 homens vestidos em uniforme do Exército, alguns armados. O outro militar do grupo seria um “tenente desertor”. Os outros que participaram da rebelião eram civis em uniforme militar, segundo o governo. 

Logo nas primeiras horas da manhã, após a notícia da revolta no Forte Paramacay, a população de Valencia saiu às ruas para tentar ajudar os rebeldes, mas a GNB reprimiu os protestos. Segundo o jornal El Nacional, Ramón Rivas, líder local do partido Avanzada Progresista, morreu no confronto. Se confirmada pela Procuradoria, aumentará o número de mortos desde o início dos protestos contra Maduro, em 1.º de abril, para 122.

O governo tentou demonstrar força, mandou aquartelar soldados em bases do Exército e aumentou a presença de militares em várias cidades do país. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, disse que o “ataque terrorista paramilitar” foi executado por “um grupo de delinquentes civis”. “Não passa de um show de propaganda. Um passo desesperado.” 

Maduro elogiou a ação do Exército. “Quero felicitar nossas Forças Armadas. Na semana passada, ganhamos com voto. Agora, tivemos de derrotar o terrorismo com balas”, disse o presidente em seu programa de TV. “Dois foram abatidos pelo fogo leal à pátria. Um está ferido.”

Segundo Maduro, o ataque foi arquitetado “em Miami e na Colômbia”. “Os rebeldes receberam dinheiro. E esta fatura foi paga em Miami e na Colômbia”, disse. “Peço a pena máxima para todos os envolvidos neste ataque terrorista no Forte Paramacay.” 

A rebelião fez com que a Assembleia Constituinte suspendesse uma sessão marcada para este domingo, quando seria instalada a chamada “Comissão da Verdade” para estabelecer responsabilidades por fatos violentos nas manifestações contra o governo.

Segundo Maduro e vários constituintes, a comissão deverá “acabar com a impunidade” de quem, segundo o governo, promoveu o “terrorismo” no país. O presidente já ameaçou com pena de prisão alguns líderes opositores por terem convocado manifestações contra ele e contra a Constituinte.

Resposta

O presidente do Parlamento venezuelano, o opositor Julio Borges, exigiu que o governo diga "a verdade" sobre o ataque contra o forte militar. "Queremos saber a verdade, que não venham com historinhas, com uma caça às bruxas, que não venham nos culpar."

"Estou consciente de que a instalação da Assembleia Constituinte para muitos é uma espécie de golpe, mas cada passo da Constituinte é um passo ao precipício para esse governo", afirmou o deputado.

"A única coisa que resta é a força bruta, não é um governo forte, é um governo podre, caído, que só quer se agarrar ao poder. O que devemos fazer? Seguir nas ruas, será uma luta difícil, mas, ao fim, a dignidade do povo vai prevalecer", concluiu Borges. /AFP, AP e REUTERS

 

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