Líder do Peru vota atrás em decreto após demissão de Vargas Llosa

Escritor criticou decreto de Alan García que poderia proteger acusados de crimes.

BBC Brasil, BBC

13 de setembro de 2010 | 23h54

O presidente do Peru, Alan García, pediu nesta segunda-feira ao Congresso do país que suspenda um polêmico decreto emitido por ele há duas semanas que poderia proteger militares do país de processos por crimes de direitos humanos.

A decisão de García foi anunciada depois que, em uma carta aberta, o conhecido escritor peruano Mario Vargas Llosa criticou em uma carta aberta o decreto e pediu demissão de um cargo ligado ao governo.

Llosa disse que o decreto era praticamente uma anistia a todos os que realizaram torturas, assassinatos e sequestros durante o conflito interno no Peru entre integrantes do grupo maoísta Sendero Luminoso e as forças do governo, nos anos 80 e 90.

Segundo o repórter da BBC em Lima Dan Collyns, há relatos não confirmados de que Alan García telefonou para Llosa, que está em Paris, comunicando a decisão de pedir que o Congresso derrubasse o decreto.

Fujimori

Collyns disse que o polêmico decreto estabelece limites nos processos legais iniciados antes de novembro de 2003 e prevê a prescrição deles se uma sentença não for proferida em um prazo de três anos.

A maior parte dos crimes de direitos humanos cometidos durante o conflito interno contra o Sendero Luminoso, durante o qual cerca de 70 mil pessoas morreram, seriam afetados pelas novas regras.

Na carta aberta, Llosa acusou García de ceder aos militares, que são acusados de inúmeros abusos, e disse que o decreto iria beneficiar o ex-presidente Alberto Fujimori, condenado no ano passado a 25 anos de prisão por crimes contra os direitos humanos na luta contra o Sendero.

O escritor também pediu afastamento da Presidência de uma comissão encarregada de construir um memorial às vítimas do conflito interno.

De acordo com o correspondente da BBC, o ministro da Defesa peruano, Rafael Rey, já disse que ele ira renunciar se de fato o decreto for suspenso.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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