Líder do principal bloco opositor da Síria renuncia

O presidente do Conselho Nacional Sírio (CNS), principal bloco opositor do país, Burhan Ghalioun, renunciou nesta quinta-feira, apenas dois dias após ter sido reeleito. "Eu não vou me permitir ser o candidato da divisão. Eu não estou fixado à oposição, então anuncio que renunciarei assim que um novo candidato for escolhido, seja por consenso ou por meio de novas eleições", disse o acadêmico, em Paris, por meio de um comunicado.

AE, Agência Estado

17 Maio 2012 | 12h30

Ghalioun, que tem presidido o Conselho Nacional desde sua fundação em outubro de 2011, foi reeleito como líder do grupo numa eleição realizada em Roma na terça-feira. Ele disse que vai permanecer como membro do CNS "de mãos dadas com os jovens que lutam, com os jovens da revolução pela dignidade e liberdade, até a vitória", ao mesmo tempo em que pede a todos os grupos opositores que superem suas divergências.

O anúncio de Ghalioun foi feito pouco depois de os Comitês de Coordenação Locais (CCL), uma rede de ativistas que opera dentro e fora da Síria, ter ameaçado deixar o CNS por causa da "monopolização" do poder.

"Nos últimos meses, não vimos nada exceto a incompetência política no CNS e a total falta de consenso entre sua visão e a dos revolucionários", disseram os CCL em comunicado.

O CNS é criticado por não atuar de forma coordenada com os ativistas que estão em território sírio e pela forte influência exercida por representantes da Irmandade Muçulmana na Síria.

A reeleição de Ghalioun na terça-feira, que venceu por 21 dos 40 votos em disputa, também foi criticado por ativistas, que afirmaram que a decisão foi direcionada pela Irmandade. Além disso, a reeleição ocorreu apesar da regra do CNS que exige a rotatividade do presidente a cada três meses.

Após 15 meses de levante, a oposição síria ainda luta para superar os conflitos internos e a falta se experiência, o que impede o movimento de conquistar a força necessária para representar uma alternativa verossímil ao presidente Bashar Assad. Os partidários internacionais do CNS têm repetido seus apelo para que o movimento se reúna e trabalhe de forma unificada.

Desde sua fundação, em setembro do ano passado, o CNS tem agido como a face internacional da revolução síria e serve como ponto de referência para líderes ocidentais no que diz respeito à oposição síria. A contínua deterioração do grupo pode complicar os esforços do Ocidente e de outros países de apoiarem a oposição.

O CNS, cujos líderes são principalmente exilados sírios, tem tentado, com pouco sucesso, reunir a oposição sob seu guarda-chuva e excluído minorias no interior da Síria, dentre elas os curdos e os alawitas, a pequena seita à qual Assad pertence.

Alguns integrantes da oposição acusam a liderança do CNS de não compreender a realidade do que acontece em território sírio. Vários dissidentes importantes já deixaram o grupo, afirmando que o conselho é uma organização "autocrática".

Num raro reconhecimento de suas deficiências, uma figura da liderança do CNS disse que o grupo precisa se transformar e se tornar mais inclusivo. Bassma Kodmani, que vive em Paris e é uma importante integrante do grupo, disse por telefone nesta quinta-feira que as preocupações dos CCL são "justificadas e legítimas".

Ela reconheceu que a reunião realizada nesta semana em Roma, na qual Ghalioun foi reeleito para seu terceiro mandato consecutivo, foi marcada pela ausências de vários membros e deveria ter sido melhor preparada e organizada.

Mas ela afirmou que as diferenças no interior da oposição síria são "naturais e saudáveis" e um sinal de democracia. "Caso contrário seríamos como o Partido Baath e o regime de Assad." As informações são da Dow Jones e da Associated Press.

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