A.M. Ahad/AP
A.M. Ahad/AP

Líder do principal partido de oposição é condenado à morte em Bangladesh

Salauddin Chowdhury foi acusado de ordenar e ajudar na morte de ao menos 200 pessoas

O Estado de S. Paulo,

01 de outubro de 2013 | 15h41

(Atualizada às 17h45) DACA - Um tribunal especial de crimes de guerra em Bangladesh condenou à morte Salauddin Quader Chowdhury, membro do principal partido de oposição do país. Chowdhury foi condenado nesta terça-feira, 1, pelo envolvimento na morte de centenas de pessoas durante a luta pela independência do pais contra o Paquistão, em 1971.

Temendo uma revolta dos apoiadores do Partido Nacionalista de Bangladesh, autoridades destacaram forças paramilitares para o distrito de Chittagong, onde Chowdhury foi eleito para o Parlamento por seis vezes. O parlamentar, de 64 anos, também foi condenado a 25 anos de prisão por outros cinco crimes, incluindo sequestro e tortura.

Horas após o veredicto, os apoiadores de Chowdhury atacaram ativistas do partido do governo e queimaram pelo menos 14 veículos em Chittagong, informou o Canal de TV 24. Um homem ficou ferido. Em Daca, capital do país, ao menos dois veículos foram queimados.

O partido de Chowdhury convocou para esta quarta-feira uma greve geral de um dia em Chittagong.

O procurador geral, Mahbubey Alam, disse que o tribunal condenou Chowdhury em nove das 23 acusações, incluindo quatro por genocídio. Chowdhury foi acusado de ordenar e ajudar na morte de ao menos 200 pessoas, principalmente entre a minoria hindu. "Eu acho que foi um julgamento justo. Estou feliz", disse Alam.

Esposa do líder condenado, Farhat Quader Chowdhury, disse que seu marido vai apelar da decisão. "Vamos fazer tudo que for necessário para mostrar para o mundo que esse julgamento é uma farsa", afirmou. Segundo o advogado do réu, Fakhrul Islam, uma cópia do veredito teria sido descoberta em um computador do Ministério da Justiça antes do fim do julgamento. "Deve ser selecionado um novo júri", defendeu.

O conflito. O governo de Bangladesh diz que soldados paquistaneses, com a ajuda de colaboradores locais, mataram três milhões de pessoas e estupraram 200 mil mulheres durante os nove meses de guerra, antes do seu fim em dezembro de 1971.

Os julgamentos por crimes de guerra são uma promessa eleitoral da primeira ministra, Sheikh Hasina, da Liga Awami, que determinou que o tribunal fosse estabelecido em 2010 com o objetivo de punir os colaboradores do massacre. / AP e EFE

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