Igor Koovalenko/Efe
Igor Koovalenko/Efe

Líder do Quirguistão descarta voltar do exílio como presidente

Kurmanbek Bakiyev considera renúncia inválida porque governo provisório não cumpriu condições

Agência Estado e Associated Press

23 de abril de 2010 | 13h34

MINSK - O presidente deposto do Quirguistão, Kurmanbek Bakiyev, disse nesta sexta-feira, 23, que não pretende voltar à sua terra natal como líder, mas que sua renúncia é inválida porque as autoridades não cumpriram a promessa de proteger sua família.

 

Bakiyev foi deposto, no último dia 7, num levante que deixou 85 pessoas mortas na capital quirguiz. Na semana passada, ele foi para o vizinho Casaquistão e chegou à capital bielo-russa no início desta semana, onde permanece em exílio.

Bakiyev afirmou que sua renúncia, assinada antes de deixar o Quirguistão, não é válida porque as autoridades interinas não cumpriram a promessa de proteger seus parentes. "Eu não pretendo voltar ao Quirguistão como presidente", disse ele em Minsk, acrescentando que "o outro lado não cumpriu as condições". "Eles garantiram a segurança de minha família, mas minha família está sendo perseguida, consequentemente eu não reconheço minha renúncia", rebateu Bakiyev.

Enquanto estava em seu reduto eleitoral, no sul do Quirguistão, para onde foi após o levante em Bishkek, Bakiyev disse que o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, afirmou que ele não seria responsabilizado pela violência da revolta, mas seria enviado ao tribunal se tentasse reagrupar e reclamar o poder com ajuda de militares. "Havia a ameaça a mim e aos meus parentes e a ameaça de guerra civil", disse Bakiyev. "Então, apresentei minha renúncia e deixei o país."

O líder quirguiz afirmou que um de seus irmãos foi sequestrado e que as autoridades estão tentando processar outros integrantes de sua família que permaneceram no Quirguistão. Alguns dos parentes próximos do presidente deposto foram para o Casaquistão, mas as autoridades quirguizes esperam que eles sejam deportados. O governo interino do Quirguistão acusa o irmão de Bakiyev, Zhanybek, que era o chefe da guarda presidencial, de emitir a ordem para atirar contra manifestantes em Bishkek.

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