Líder do Sudão elogia proposta de Obama ao mundo islâmico

Os EUA têm mantido tensas relações com o governo islâmico de Bashir, que chegou ao poder em golpe em 1989

Alastair Sharp, Reuters

13 de abril de 2009 | 15h26

O líder do Sudão elogiou nesta segunda-feira, 13, os "sinais positivos" enviados pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao mundo islâmico, dirigindo um tom mais conciliador ao governo norte-americano, que no passado era visto por Cartum como um inimigo.

"Nós, nossos irmãos e irmãs, buscamos paz e estabilidade e não queremos que nosso país viva sob as sombras da violência e da tensão", disse o presidente Omar Hassan al-Bashir durante a abertura da oitava sessão parlamentar.

"Nossas mãos permanecem estendidas para aqueles que pedem por paz e justiça de acordo com os padrões de justiça e dignidade", acrescentou ele, ecoando uma frase usada por Obama em seu discurso de posse.

"Nós até mesmo saudamos os sinais positivos enviados pelo presidente dos EUA, Barack Obama, ao mundo islâmico em mais de uma ocasião."

Washington tem mantido tensas relações com o governo islâmico de Bashir, que chegou ao poder do maior país da África em um golpe em 1989.

Os EUA impuseram sanções econômicas ao Sudão em 1997 e classificaram o país como "Estado patrocinador do terrorismo".

Os laços foram tencionados ainda mais pelo conflito de Darfur - chamado tanto por Obama como por seu antecessor, George W. Bush, de genocídio, uma definição rejeitada pelo governo do Sudão.

Bashir também aproveitou o discurso desta segunda-feira, 13, para defender a decisão de expulsar de Darfur 13 agências de ajuda humanitária estrangeiras no mês passado depois que o Tribunal Penal Internacional emitiu um pedido de prisão contra ele por supostos crimes de guerra na região oeste do Sudão.

Ele afirmou que a decisão foi tomada "para proteger a soberania, a segurança e a independência de nosso país".

Os comentários de Bashir vieram após uma visita este mês do enviado especial de Obama ao país, Scott Gration, que se reuniu com autoridades governamentais, grupos rebeldes e organizações internacionais, prometendo "observar, aprender e ouvir".

Gration, que deve retornar ao Sudão em alguns meses, disse que buscava coleguismo e cooperação do governo sudanês, mas também lançou uma crítica.

Após visitar um campo de refugiados em Darfur, ele se disse preocupado que a região estivesse à beira de uma crise humanitária mais profunda após a expulsão das agências de ajuda humanitária.

Especialistas internacionais dizem que ao menos 200 mil pessoas morreram e mais de 2,7 milhões tiveram de deixar suas casas em quase seis anos de conflito étnico e político em Darfur. Cartum afirma que 10 mil morreram.

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