Líder do Taleban convoca combatentes para defender Cabul

O líder supremo da milícia Taleban, o mulá Mohammed Omar, pediu hoje ajuda aos religiosos (ulemás) para que eles mobilizem a população contra o inevitável ataque norte-americano. As notícias que chegam do Afeganistão falam de grandes deserções entre as fileiras talebans. Por esse motivo, para a defesa da capital Cabul, alistaram-se combatentes árabes e paquistaneses em resposta às ordens de Osama bin Laden. Em uma declaração à rede de televisão árabe Al Jazeera, Omar advertiu que todos aqueles que combaterem contra o Taleban serão considerados traidores. Depois, o mulá pediu ajuda humanitária a todo o mundo islâmico. Al Jazeera, inaugurada no Catar há cinco anos, é um dos poucos meios de informação que manteve sua presença no Afeganistão, e acredita-se tem bons contatos com o Taleban e a al-Qaeda, a organização terrorista de Bin Laden considerada responsável pelos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos. O extremista saudita e outros dirigentes da al-Qaeda encontram-se no Afeganistão. Segundo refugiados recém-chegados a Peshwar de Cabul, são vários milhares os milicianos do grupo e os extremistas islâmicos paquistaneses alinhados na defesa da capital, ameaçada de perto pelas forças da Aliança do Norte, a coalizão dos grupos afegãos anti-Taleban. Segundo Abdullah Abdullah, "ministro das Relações Exteriores" da Aliança do Norte, "inúmeros" combatentes militares do Taleban se ofereceram para passar à oposição, e "poderiam levar com eles cerca de 10.000 homens". A cifra parece exagerada se se levar em conta que os talebans contam com 30.000 homens armados. Os voluntários estrangeiros seriam em torno de 10.000 combatentes, principalmente de grupos extremistas do Paquistão, Egito, Arábia Saudita e Sudão. Além disso, uma parte dos cerca de 50.000 estudantes das "madrassas", as escolas islâmicas paquistanesas e afegãs, é usada como reservistas pelo Taleban.

Agencia Estado,

03 Outubro 2001 | 17h05

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