Líder do Timor poderá mediar crise na Guiné-Bissau

O presidente do Timor Leste, José Manuel Ramos-Horta, se ofereceu neste sábado para mediar a crise na Guiné-Bissau, após soldados prenderem o primeiro-ministro deste pequeno país no oeste da África. Enquanto isso, o ministro de Defesa de Portugal, ex-metrópole colonial da Guiné-Bissau, disse que forças de segurança estão preparadas para tirar os cidadãos portugueses do país.

AE, Agência Estado

14 de abril de 2012 | 16h55

"A situação na Guiné-Bissau, que eu tenho acompanhado nos últimos anos, é extraordinariamente complexa e perigosa, porque pode se deteriorar para mais violência, e o país não está em condições de permitir esse novo retrocesso no processo de paz e democratização", comentou Ramos-Horta em entrevista para a agência portuguesa de notícias Lusa.

Ontem, um porta-voz do Exército da Guiné-Bissau confirmou que soldados prenderam o primeiro-ministro do país, Carlos Gomes Jr. No dia 29 deste mês aconteceria o segundo turno das eleições presidenciais, e Gomes estava liderando as pesquisas. Nos últimos 40 anos, nenhum líder conseguiu completar seu mandato na Guiné-Bissau.

O ministro da Defesa de Portugal, José Aguiar Branco, disse hoje que suas forças estão preparadas para tirar cidadãos portugueses do país africano. "É nossa responsabilidade e nosso trabalho garantir uma preparação adequada no caso de ser necessário tirar portugueses da Guiné-Bissau", comentou, acrescentando que a situação está sendo acompanhada de perto.

Os recentes eventos no país geraram críticas da comunidade internacional, incluindo por parte da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Ecowas, na sigla em inglês) e da Organização das Nações Unidas (ONU). Hoje, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Mark Toner, disse que o país "pede que todas as partes deponham suas armas, libertem os líderes do governo imediatamente e restaurem a legítima liderança civil".

"Nós condenamos fortemente a tentativa de certos elementos do Exército de obter o poder forçadamente e destruir a legítima liderança civil da Guiné-Bissau", afirmou Toner. "Nós lamentamos que eles tenham escolhido interromper o processo democrático, que já estava sendo ameaçado pela tentativa da oposição de boicotar o segundo turno das eleições", complementou.

Ontem, os ministros da Ecowas concordaram em enviar um contingente militar para a Guiné-Bissau, para ajudar na segurança. O grupo também concordou em enviar uma delegação civil-militar, liderada pelo presidente da Guiné (país vizinho), Alpha Condé.

Hoje, a agência Lusa informou que um popular jornalista da Guiné-Bissau foi preso e libertado em seguida. Antônio Ali Silva, autor de um blog famoso no país, disse que ficou sob custódia por algumas horas e depois foi libertado juntamente com a cantora Dulce Neves e vários seguranças do primeiro-ministro Gomes. As informações são da Associated Press.

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